A capital aragonesa se prepara para se tornar, mais uma vez, no grande cenário do cinema histórico europeu. O Saraqusta Film Festival celebra sua sétima edição de 24 de abril a 1 de maio de 2026 e o faz com dois nomes de alto nível: a lendária atriz britânica Jacqueline Bisset, que receberá o Dragão de Ouro na gala de encerramento, e a jovem atriz espanhola Kimberley Tell, agraciada com o Prêmio Saraqusta na inauguração.
Impulsionado pela Prefeitura de Zaragoza e pela produtora Cosmos Fan, o festival se consolidou em apenas cinco anos como um dos poucos certames do continente dedicados exclusivamente ao cinema histórico, em todas as suas formas: ficção, documentário e animação. «O cinema e a história não são compartimentos estanques, mas duas disciplinas que se alimentam mutuamente», explicou ontem o diretor do festival, José Ángel Delgado, durante a apresentação oficial. «Queremos que o espectador aprecie o prazer estético de um grande filme e, ao mesmo tempo, compreenda quem somos através do que fomos».
A conselheira municipal de Cultura, Educação e Turismo, Sara Fernández, sublinhou a rápida ascensão do certame: «Apesar de ser uma proposta muito jovem, está deixando uma marca internacional. Zaragoza, cidade de mais de dois mil anos de história e mistura de culturas, é o cenário perfeito para este festival».
Duas carreiras que são pura história
Jacqueline Bisset, ícone do cinema autoral e musa de François Truffaut, John Huston, George Cukor, Claude Chabrol e Roman Polanski, receberá o Dragão de Ouro no dia 1 de maio. Sua filmografia está repleta de títulos históricos: desde a minissérie Napoleão e Josefina. Uma história de amor (1987) até Joana d’Arc (1999), Jesús (1999), Britannic (2000) ou Dancing on the Edge (2012), ambientada no Londres da década de 30. Vencedora de um Globo de Ouro e reconhecida em festivais ao redor do mundo, Bisset representa a elegância e a experiência do cinema clássico.
Por sua vez, Kimberley Tell — uma das atrizes espanholas com maior projeção internacional — será homenageada no dia da inauguração, 24 de abril. Sua trajetória em produções históricas é impecável: interpretou a rainha Vitória Eugenia na série Ena, fez o papel de Gracia de Mônaco em Velvet, participou do drama da Guerra Civil Ebro, da cuna à batalha e em 45 revoluções, ambientada na Espanha dos anos sessenta. Seu último trabalho, Planeta 5000 (2020), foi filmado em Aragón.
Um programa de alto voltaje histórico
O festival selecionou dez títulos para competição entre mais de 500 obras provenientes de 50 países. Na seção de longas-metragens destacam-se:
- A cópia perfeita (França, 2025), de Jean-Paul Salomé
- Palestina 36 (Palestina/Reino Unido, 2025), de Annemarie Jacir
- As loucas do obelisco (Espanha, 2026), de Pablo Moreno
- Primavera (Itália, 2025), de Damiano Michieletto
- Verdade e traição (EUA, 2025), de Matt Whitaker
Na categoria documentário, competem Joana de Castilla (Espanha, 2026), de Santiago Mazarro; La nuit de cristal (França, 2025); Como conquistamos o oeste (Espanha/Aragão, 2026), de Elsa Tercero, e outros dois títulos de grande interesse.
A seção Panorama Saraqusta incluirá, entre outros, Ena. A rainha Vitória Eugenia e o curta-metragem aragonês Dupla vida. Atentado em Sallent. Além disso, haverá uma Seção Aragonesa com cinco produções locais e três projeções especiais, entre elas Zaragoza, pioneira do cinema (2026), de Isabel Soria e Vicky Calavia.
As sedes serão emblemáticas: o Museu do Teatro de Caesaraugusta para as atividades matinais, a Fundação Ibercaja Patio de la Infanta e o histórico Cine Cervantes para as projeções noturnas. A clausura, com formato de gala ao estilo Globos de Ouro, será realizada no Hotel Palafox.
Um cartaz que já é história
O cartaz oficial, obra do designer David Arenas, presta homenagem ao arte mudéjar de Zaragoza e celebra o 25º aniversário da declaração como Patrimônio Mundial da UNESCO da torre de São Ignacio de Loyola. A imagem mostra a torre convertida em um palco cinematográfico, símbolo perfeito da união entre história e sétimo arte.
Os ingressos individuais custam 4,5 euros e já podem ser adquiridos no site oficial saraqustafilmfestival.com (a partir de 25 de março). Existem pacotes de 15 euros para dez entradas e muitas atividades (mesas redondas, documentários aragoneses e projeções especiais) são gratuitas com reserva.
De 24 de abril a 1 de maio, Zaragoza não apenas exibirá filmes: projetará sua própria história. E o fará com duas das atrizes que melhor encarnaram a grandeza e a complexidade do passado. O Saraqusta Film Festival 2026 promete ser, mais uma vez, o lugar onde o cinema e a história se encontram.










