Na Escolapios/Escolas Pías Zaragoza, a educação infantil avança com o Discovery Lab, uma sala multissensorial projetada para estimular a criatividade, os sentidos e a cognição das crianças desde tenra idade. Este espaço inovador combina jogo, manipulação e experimentação, seguindo os princípios de neuroeducação e neurociência, para que os pequenos sejam os protagonistas de seu próprio aprendizado.
O projeto foi desenvolvido graças a uma equipe multidisciplinar de docentes e psicopedagogos, que criaram ambientes temáticos, como o circo ou o mundo invernal, onde as crianças podem explorar, experimentar e aprender de forma lúdica. Com materiais sensoriais como lâmpadas de luz, mesas interativas e pisos táteis, o Discovery Lab fomenta a curiosidade, a criatividade e a inteligência emocional em um ambiente seguro e respeitoso.
O que inspirou a equipe das Escolas Pías a criar o Discovery Lab?
Nos inspirou porque vemos que agora as crianças precisam de um a mais: trabalhar os sentidos, o movimento e o aprendizado de uma forma mais manipulativa, mais através da experimentação e da criatividade. Elas são um pouco os protagonistas de seu próprio aprendizado, através de experiências e em um espaço que seja um pouco fora da sala de aula, para romper com a dinâmica habitual e ser algo diferente.
Qual era o principal objetivo que buscavam com esta sala multissensorial?
O principal objetivo é o desenvolvimento de todos os sentidos: a visão, a audição, o olfato e o gosto, que são os mais conhecidos, mas também tudo que tem a ver com o sistema vestibular e proprioceptivo, pois são os sentidos relacionados ao movimento. Esses, por sua vez, estão muito ligados ao aprendizado, já que se algum deles falha, as crianças podem ter dificuldades na leitura, na escrita e na caligrafia. Por isso, é muito importante desenvolver todos esses sentidos através da experimentação, da manipulação, da curiosidade e da descoberta: tocar, lançar, ver se rola ou não, esconder… tudo isso é muito importante para elas.
As crianças precisam trabalhar os sentidos, o movimento e a criatividade.
Como aplicam os princípios de neuroeducação dentro do projeto?
Baseamo-nos no fato de que cada criança se desenvolve de maneira distinta e, sobretudo, temos em mente a teoria das “Três C cerebrais”, que indica que o cérebro muda ao longo da vida. Por isso não podemos exigir o mesmo de crianças de dois ou três anos que de uma de cinco. As atividades são adaptadas conforme a idade e o desenvolvimento de cada criança. Além disso, como o cérebro é plástico, quanto mais experiências proporcionamos aos alunos, mais conexões sinápticas eles criarão e maiores serão as possibilidades de se desenvolverem.
Também é preciso considerar que o cérebro é complexo. Por exemplo, você pode preparar uma experiência que acredita que elas vão gostar muito, e naquele dia as crianças podem estar cansadas ou desinteressadas. O bom dessa sala é que, ao haver diferentes cantos e estações, elas podem mudar de atividade; talvez um dia não vão a um canto que costumavam escolher, e no outro dia permaneçam em um só. É preciso dar tempo, respeitar sua maturação e entender que o cérebro das crianças está em construção. Por isso é importante preparar experiências que ajudem a crescer em seu desenvolvimento cognitivo.
Como se decide a temática de cada espaço, como o circo ou o mundo invernal?
Decidimos isso em equipe, com base nos interesses que observamos nas crianças. Por exemplo, quando se aproxima a época do carnaval, fazemos mais relacionado ao carnaval. Outras vezes, fazemos mais vinculado à natureza. Também costumamos utilizar muitos contos e fazer atividades com luz negra.
Em geral, é decisão da equipe e vamos observando o que funciona, porque nem sempre o mesmo funciona para todos os alunos. É preciso ir observando e variando. Não podemos repetir exatamente a mesma coisa a cada ano, porque talvez em um ano uma turma goste muito do circo, mas no ano seguinte elas se interessem mais pela natureza. Por isso, é importante ir se adaptando aos seus gostos e interesses.
Cada criança se desenvolve de maneira distinta e o cérebro vai mudando ao longo da vida.
Desde a implementação do Discovery Lab, que mudanças observaram nas crianças que participam?
Observei muitas mudanças em termos de desenvolvimento e de cooperação entre elas, assim como na tolerância à frustração, porque em cada espaço cabem no máximo três ou quatro crianças e elas aprendem a esperar.
No nível da psicomotricidade fina, todo o desenvolvimento motor melhorou muito, assim como o desenvolvimento dos sentidos. Também se criou um grande grupo, porque todos os alunos sentem que pertencem àquela turma. Por ser um espaço tão seguro e tranquilo, é muito relaxante para elas, o que favorece a criação de vínculos e conexões. Sobretudo, o que mais notei foi o desenvolvimento da criatividade.
Como acreditam que essas experiências influenciam no desenvolvimento cognitivo, sensorial e emocional dos pequenos?
Bem, é necessário continuar trabalhando e observar também as necessidades educativas que nossos alunos vão tendo, acompanhando-os. Há coisas que talvez precisemos deixar de lado e outras que modificar, porque, como você sabe, as crianças estão em constante mudança e exigem que estejamos em contato com essa renovação.
Além disso, é um espaço ao qual podem acessar bebês a partir de seis meses, fora do centro educativo, o que o torna um lugar muito seguro para eles. Centros de educação infantil de 0 a 3 anos também podem vir como parte de suas visitas extras. Da mesma forma, as famílias podem vir com crianças menores, e quando fiz oficinas com elas, é muito gratificante ver os pais brincando com seus filhos.
Quais os planos da equipe para o desenvolvimento ou expansão do Discovery Lab nos próximos anos?
Queremos incluir novas temáticas e experiências, sim. Estamos mudando; por exemplo, no ano passado incluímos o circo, que não havia sido feito antes. Há alguns anos fizemos as típicas feiras de cidade, com diferentes estantes para lançar bolas, dar prêmios, esse tipo de atividade mais própria de feira.
É preciso dar tempo e respeitar que seu cérebro está em construção.
O que diria a outros docentes que queiram estimular o aprendizado das crianças através de experiências sensoriais?
Eu diria que não hesitem e, sobretudo, que precisamos confiar na infância. As crianças têm um monte de capacidades e talentos, e devemos dar a elas espaços para que se desenvolvam livremente: para que brinquem, experimentem, descubram que um objeto rola e outro não, e que assim podem construir o que querem e compartilhar com seus amigos. Proporcionar a elas esse tipo de espaço é excelente para seu desenvolvimento cerebral.










