O setor da construção na Alemanha moderou significativamente a sua deterioração durante agosto. O índice PMI de atividade total elaborado pela S&P Global avançou para 48,7 pontos, face aos 42,1 registados em julho, a sua melhor leitura em oito meses. Apesar da melhoria, o indicador continua abaixo dos 50 pontos que separam a expansão da contração.
A evolução de agosto oferece, assim, um sinal de estabilização para um setor que atravessou um período prolongado de fragilidade. A queda da atividade foi a mais moderada desde o início da atual desaceleração, no começo do ano, embora os dados revelem diferenças importantes entre os vários segmentos da construção alemã.
A construção comercial volta a crescer
A principal novidade veio da construção comercial, que regressou ao crescimento pela primeira vez desde julho de 2025, embora de forma marginal. Este segmento abrange projetos relacionados com instalações industriais, escritórios, hotéis, estabelecimentos comerciais e espaços de lazer.
A evolução da construção residencial também melhorou. A atividade continuou a diminuir durante agosto, mas registou o menor ritmo de queda desde dezembro de 2025. A engenharia civil seguiu uma trajetória diferente: depois de ter sido o segmento com melhor desempenho durante grande parte do ano e de ter registado um ligeiro avanço em julho, voltou a território negativo em agosto.
A melhoria do indicador geral não significa, contudo, que tenham desaparecido as dificuldades que condicionam o setor. As novas encomendas voltaram a diminuir de forma significativa, embora a descida tenha sido menos acentuada do que no mês anterior. As empresas consultadas apontaram os preços elevados e os custos de financiamento como alguns dos principais fatores que continuam a limitar a procura.
O emprego continua a cair
O mercado de trabalho do setor também ainda não reflete uma recuperação. As empresas de construção reduziram os seus quadros de pessoal pelo sétimo mês consecutivo, e o ritmo de perda de postos de trabalho acelerou até atingir o nível mais elevado desde abril.
Às dificuldades relacionadas com a procura soma-se uma nova pressão sobre os custos. A inflação dos fatores de produção aumentou em agosto pela primeira vez em quatro meses, impulsionada pela subida dos preços do petróleo. As empresas assinalaram ainda um prolongamento dos prazos de entrega, em consequência das dificuldades em obter determinadas matérias-primas e das perturbações nas cadeias de abastecimento.
As expectativas para os próximos doze meses continuam negativas, embora tenham melhorado ligeiramente face a julho. Entre as preocupações apontadas pelas empresas estão a falta de novas encomendas, a pressão sobre o rendimento disponível, os custos elevados e os riscos decorrentes do conflito no Médio Oriente. O inquérito utilizado para elaborar o indicador recolhe respostas de cerca de 150 empresas de construção e, nesta edição, os dados foram recolhidos entre 10 e 27 de agosto.
Os dados da construção são divulgados, além disso, num momento em que outros indicadores apresentam uma imagem desigual da economia alemã. Em agosto, a indústria transformadora mostrou uma evolução mais favorável, enquanto os serviços continuaram em terreno de contração. O PMI preliminar da indústria transformadora atingiu 54,1 pontos, face aos 52,2 de julho, enquanto o índice definitivo dos serviços se situou em 49,7 pontos.
O salto do PMI da construção de 42,1 para 48,7 representa, portanto, uma melhoria apreciável, mas ainda não permite falar em recuperação. A fragilidade das novas encomendas, a redução do emprego e a pressão dos custos continuam a condicionar um setor que, em agosto, se aproximou consideravelmente do limiar de estabilidade.










