Entre 17 e 20 de setembro, a cidade de Zaragoza será cenário de uma viagem literária através do tempo. As VI Jornadas de Novela Histórica “Cidade de Zaragoza” retornam com força, consolidando-se como um dos eventos mais relevantes do gênero no panorama espanhol. Sob o lema “Amor e Arte”, esta edição reunirá romancistas, historiadores, acadêmicos e amantes da narrativa histórica em um encontro que celebra as paixões humanas que marcaram —e narraram— o desenrolar das civilizações.
O evento, organizado pela Prefeitura de Zaragoza e pela Fundação Caja Rural de Aragón, reforça a vocação da capital aragonesa como lugar de encontro entre história e literatura. Nas palavras de seu diretor, o reconhecido historiador e romancista José Luis Corral, trata-se de “uma data para pensar a história a partir da emoção, da beleza e dos vínculos humanos que moldaram os grandes relatos”.
Um cartel que une rigor e narrativa
A programação se desenvolverá no salão de atos da Caja Rural de Aragón e encerrará no sábado no Teatro Romano de Caesaraugusta, joia arqueológica do centro da cidade. O cartel de palestrantes destaca-se tanto pela sua diversidade quanto pela sua excelência acadêmica e literária.
A inauguração, na quarta-feira, dia 17, ficará a cargo de Begoña Valero, autora premiada recentemente com o Prêmio de Crítica Literária Valenciana 2025. Sua conferência, “A vida do Cervantes mais desconhecido”, promete revelar facetas menos conhecidas do autor do Quijote. Nesse mesmo dia, Marisancho Menjón, escritora e ex-diretora geral de Patrimônio do Governo de Aragón, falará sobre “O grupo de Roda”, uma temática que liga patrimônio e narrativa.
Na quinta-feira, a professora e romancista Olalla García abordará “O caso de Céspedes”, figura fascinante do Século de Ouro que desafiou os limites de gênero e classe. Em seguida, José Luis Corral refletirá sobre um dos binômios mais potentes do gênero: “O amor e a morte”.
Na sexta-feira, será reservado para uma perspectiva jurídica e política sobre a história. Carmen Lázaro, catedrática de Direito Romano, dissertará sobre o casamento e a monogamia na antiga Roma. Depois, o escritor e historiador Eduardo Juárez, professor na Universidade Carlos III, analisará o peso da lenda negra na imagem internacional da Espanha, sob o sugestivo título “Uma história de desamor”.
Um encerramento com música e memória
O ponto alto chegará no sábado, dia 20, no Museu do Teatro Romano, com um formato mais descontraído, mas igualmente significativo. Pedro Baranda, coordenador acadêmico do evento, apresentará “2025. Um ano de romancistas e romances históricos em Aragón”, uma visão geral sobre o auge do gênero na região. O ato culminará com um recital a cargo do músico Álex Garber, que interpretará peças medievais sob o título “Música e canções de amor no Medievo”, proporcionando uma atmosfera sensorial ao encerramento do evento.
Zaragoza, ponto de referência do gênero
Distante de se limitar a um público local, as Jornadas de Novela Histórica de Zaragoza ganharam prestígio como um espaço de reflexão e encontro em torno de um gênero que vive uma segunda juventude. A combinação de rigor histórico, sensibilidade literária e vocação informativa torna este evento um referencial para leitores, escritores e pesquisadores de todo o mundo hispanofalante.
Em tempos em que a pós-verdade e a simplificação histórica ameaçam empobrecer o discurso cultural, espaços como estas jornadas reivindicam a importância de entender o passado com nuances, emoção e profundidade. Zaragoza, com seu passado bimilenar e seu presente vibrante, demonstra ser o cenário ideal para esta conversa entre tempos, gêneros e vozes.










