A recente publicação das notas de corte de acesso à universidade volta a constatar uma realidade: o interesse dos alunos pelas carreiras de ciências ou STEAM. Os programas conjuntos de Física-Matemática e Matemática e Engenharia da Computação são os que contam com a nota mais alta, seguidos de Medicina, Engenharia Biomédica e Biotecnologia. Isso responde ao fato de que nossos jovens estão conscientes do bom momento que vive a Aragão em termos de investimentos empresariais em geral, e tecnológicos em particular.
Ou seja, nossa Comunidade Autónoma requer muito talento STEAM e nossos jovens sabem disso. A desconexão entre a oferta formativa e as necessidades empresariais é uma das áreas detectadas pelo Think Tank de CEOE Aragão que é necessário abordar para melhorar nossa competitividade. Nas formações do âmbito sanitário estima-se um déficit de 1.500 profissionais em enfermagem e mais de 250 apenas em medicina de atenção primária.
Com esse contexto, desde a Aliança +STEAM Aragão (impulsionada por CEOE, Diretrizes de Aragão e a DGA, junto com mais de 50 organizações) defendemos que essas competências deveriam ser consideradas centrais e se estender desde as primeiras etapas formativas até as mais avançadas. No entanto, está sendo detectado um fator que também afeta a qualidade: a falta de atualização e especialização dos docentes em áreas tecnológicas e STEAM.
Nesse aspecto, identificamos três lacunas nas quais docentes, famílias, empresas e instituições precisamos trabalhar. A primeira é a lacuna de gênero: nossas jovens não gostam das STEAM. Os números não são muito encorajadores: apenas 25% dos estudantes STEAM de Aragão são meninas e ainda menos em algumas engenharias. Criar ambientes inclusivos e de paridade tanto na sala de aula quanto no ambiente de trabalho é responsabilidade de todos.
A segunda lacuna mencionada é a territorial: em alguns aspectos, as áreas rurais não têm as mesmas oportunidades que as urbanas. Pensando no futuro, a solução não pode ser que os jovens abandonem os ambientes rurais para ir às cidades.
O terceiro problema que precisamos enfrentar é de natureza socioeconômica e parte da educação nas escolas: a falta de programas formativos integrados propicia que as famílias conscientes da importância do tecnológico e com maior poder aquisitivo complementem a formação com atividades extracurriculares.
A colaboração público-privada é vital para resolver a desconexão atual entre a formação e o mercado de trabalho. Aragão enfrenta grandes oportunidades para seu desenvolvimento onde o talento e sua correta gestão são fundamentais.
ARTIGO DE OPINIÃO CEOE ARAGÃO
AUTORA: María Sasot, vice-presidente da CEOE Zaragoza e presidenta das Diretrizes de Aragão










