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14 febrero 2026

Carlos e Luis Fresno, os «Fresno’s»: «Nunca dissemos: ‘Vamos nos dedicar aos quadrinhos’. Tudo foi fruto do acaso»

Como e quando surgiu seu interesse por desenhar e contar histórias? Houve alguma experiência precoce, talvez na infância ou adolescência, que os marcou e os levou ao mundo dos quadrinhos?

Sou Carlos Fresno, respondo à entrevista em primeiro lugar porque sou três anos e quatro meses mais velho que Luis e, no momento em que surgiu meu interesse pelos desenhos e pelas histórias, ele era muito pequeno. Nosso irmão mais velho, Ricardo, que é quatro anos mais velho que eu, comprava o Capitão Trueno e o Jabato e sempre me recrimina por ter recortado as histórias em quadrinhos para ter “soldadinhos recortáveis” e preparar aventuras. Quando fui um pouco mais velho e recebia a “mesada”, nunca gastei um centavo em doces, pirulitos, alcaçuz ou outras guloseimas, tudo que eu investia era em livros e histórias em quadrinhos; comprava, sobretudo, livros da coleção de Histórias Seleção da Editorial Bruguera e da coleção os Cinco Segredos de Enid Blyton. Com dez anos, eu já tinha lido a grande maioria da obra de Julio Verne e Walter Scott – Ivanhoé, Quintin Durward, … – ou a Guerra das Duas Rosas de Dan Jones e até mesmo a Ilíada.

A Luis ele gostava muito do gatinho Pumby.

Tudo isso simultaneamente com o desenho, copiando historietas de Pantera Negra ou Capitão Miki da Editorial Maga. Naquela época, quando estava realizando o ingresso no bacharelado, o professor de desenho, o pintor Joan Pla, disse aos meus pais para não se preocuparem, que eu poderia ganhar a vida com o desenho. Não sei por que ele disse isso, eu não era como Benito Boniato; tirava muito boas notas.

Quais quadrinhos ou autores os inspiraram mais em seus começos? Havia alguma referência particular, espanhola ou internacional, que admirassem e que talvez influenciasse seu estilo ou narrativa?

Inicialmente e de uma forma muito especial nos agradava o Tintin de Hergé. Por quê? Fundamentalmente pela história tão bem elaborada, pelos cenários – como dizem os franceses – reconhecíveis e que dão continuidade à ação. De estilo realista, nos encantava Harold Foster e seu Príncipe Valente. Naquela época, comprávamos revistas da Editorial Maga Flecha Roja e Pantera Negra; nelas eram incluídos capítulos de Crispin chofer particular, desenhado pelo belga Berck e com o roteiro do “mestre” René Goscinny, que tinha um desenho muito limpo e com cenários muito reconhecíveis.

“Com dez anos, eu já tinha lido a grande maioria da obra de Julio Verne e Walter Scott… Todo o meu dinheiro ia para livros e histórias em quadrinhos.”

Posteriormente, conhecemos pela primeira vez Uderzo com as aventuras de Umpa-pá, o pele-vermelha, também com roteiro de Goscinny. A propósito, nós o liamos em catalão, porque estava incluído na revista Cavall Fort. Depois os encontramos em francês.

A nós sempre nos influenciaram as bandas desenhadas franco-belgas. Sobretudo André Franquin com suas insuperáveis Spirou e Fantasio e Gaston o Gafe.

Em algum momento, como decidiram que os quadrinhos seriam sua profissão ou pelo menos uma parte importante dela? Foi uma decisão conjunta ou cada um chegou por seu lado?

Não há um momento determinante em que dissemos: “vamos nos dedicar às histórias em quadrinhos…”. Tudo foi fruto da casualidade. Em 1970, com poucos meses de intervalo, enviamos amostras de histórias em quadrinhos para La Revista Vida e Luz dos HH. De La Salle (Editorial Bruño) e Editorial Bruguera. Ao que parece, ao Irmão Juan Blasco Cea gostou do que propusemos e, em fevereiro de 1971, na edição nº 50 de Vida e Luz apareceu a primeira de uma variada série de histórias em quadrinhos que perdurou até janeiro de 1982, com o nº 148. Naquela época, com o volume de produção para Bruguera alcançou tal nível que tivemos que abdicar de continuar colaborando com Vida e Luz após 99 meses seguidos.

Também em 1971, ao burgalês Rafael González, alma mater da Bruguera na época, deve ter visto algo aproveitável nas amostras de histórias em quadrinhos e nos deu a oportunidade de editar

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