De 29 a 31 de outubro de 2025, a cidade de Zaragoza receberá uma nova edição do Encontro Internacional de Ocultura, uma cita cultural única que combina arte, literatura, história e mistério. Este ano, o foco estará nos segredos menos explorados de Francisco de Goya, o gênio aragonês cuja obra continua gerando perguntas dois séculos após sua morte.
Organizado pelo escritor e jornalista Javier Sierra —Prêmio Planeta e criador do conceito de Ocultura—, o evento se consolida como um espaço onde se reivindica que por trás de toda atividade cultural há elementos ocultos que merecem ser explorados e reivindicados.
Goya e os segredos da arte como núcleo temático
Nesta edição, o eixo temático gira em torno da arte como porta para outras realidades. Preparando o 200º aniversário da morte de Goya, quisemos nos aproximar dos mistérios da arte com esse acento especial na figura de Francisco de Goya, explicou Sierra durante a apresentação do evento.
Um ponto de partida literário inspirará toda a programação: o Manuscrito encontrado em Zaragoza, obra do nobre polonês Jan Potocki. Segundo Sierra, provavelmente conheceu Francisco de Goya na cidade de Madrid e, muito provavelmente, o retratou, deixando aberta uma das muitas incógnitas que alimentarão as jornadas.
Três dias, cinco conferências e múltiplos enigmas
O evento começará na quarta-feira, 29 de outubro, com uma conferência do próprio Sierra intitulada A arte como porta para outros mundos, na qual apresentará uma visão da arte não apenas estética, mas como ferramenta de conexão espiritual, mágica e cultural.
Em seguida, a escritora Dolores Redondo analisará o papel da bruxaria na obra de Goya. Ela é uma especialista em bruxaria navarra que não está muito longe da bruxaria aragonesa, afirmou Sierra, acrescentando que Redondo vai nos mostrar a influência da bruxaria na obra de Goya, que como vocês saberão e verão no próprio cartaz deste ano, está mais do que presente.
Na quinta-feira, 30, o Dr. Florencio Monje Gil —especialista em cirurgia maxilofacial— apresentará Os rostos malditos de Goya. Ele está há anos investigando como certas doenças e deformidades estão representadas nas pinturas negras do artista: Ele fará uma palestra diagnóstica de todos esses rostos com anomalias, adiantou Sierra.
Nesse mesmo dia, Montse Aguer, diretora dos Museus Dalí, falará sobre Dalí, o enigma sem fim, e sua conexão conceitual com Goya. O que Dalí buscava fundamentalmente com sua arte era a imortalidade… Ele também a procurou na alquimia e na bruxaria, pois herdou de adultos, de pintores tão notáveis como Goya, disse Sierra.
Final com visitas guiadas, rádio ao vivo e uma autora lendária
Na sexta-feira, 31, será um dia especialmente intenso. Pela manhã, junto à Fundação Goya em Aragão, será realizada uma visita guiada à exposição Goya: do museu ao palácio, na Aljafería. À tarde, será gravado ao vivo o programa da RNE Espaço em Branco, um dos mais antigos da radiodifusão espanhola.
Esse dia também contará com a escritora e jornalista Clara Tahoces, descendente da condessa de Chinchón, musa de Goya. Ela nos contará como para a condessa e para o palácio que ela tinha nos arredores de Madrid, Goya pintou seus famosos aquelarres e suas pinturas mais mágicas ou mais esotéricas, explicou Sierra.
O ponto alto será a presença da americana Katherine Neville, autora do fenômeno global O Oito, que apresentará a palestra Lembranças do futuro: a arte e a memória. Sierra ressaltou: Neville virá expressamente de Washington para participar destas jornadas. E acaba de receber um prêmio que será entregue a ela após sua passagem por Zaragoza no Festival das Almas de Soria.
Cultura com olhar simbólico
Além da programação, Ocultura propõe uma visão alternativa do fato cultural: Não estamos falando de superstição nem de magia no sentido mais raso da palavra, mas de cultura em qualquer caso. E isso é o que inspira toda a atividade deste ano, ressaltou Javier Sierra.
Com entrada livre e um número limitado de 600 pessoas, a cita busca aproximar o público geral de temas que costumam ficar fora do discurso acadêmico: conexões ocultas, símbolos esquecidos, figuras históricas sob novas óticas. Um projeto que olha para o passado —e para o futuro— com ambição, nas palavras de Sierra: Transformar o que está oculto na cultura em cultura. Acredito que esse é o espírito deste encontro.










