O CRA Bajo Gállego desenvolveu um projeto inovador centrado no fortalecimento das funções executivas em crianças da educação infantil, com o objetivo de melhorar sua atenção, memória de trabalho, autorregulação e autonomia. A iniciativa, liderada pela docente Carolina Calvo García, combina atividades manipulativas, jogos e pensamento computacional sem telas, promovendo uma aprendizagem lúdica, significativa e adaptada à diversidade de uma sala de aula rural multinível.
O projeto foi implementado em uma sala de Ontinar de Salz, um contexto onde convivem crianças de diferentes idades, no qual cada aluno avança no seu próprio ritmo enquanto desenvolve competências sociais, cognitivas e emocionais. Entre as estratégias destacadas estão as chamadas “entradas em calma”, inspiradas em Montessori, que ajudam a preparar os alunos emocional e cognitivamente no início do dia.
A implicação da comunidade educativa foi essencial. As famílias participaram ativamente, e a biblioteca municipal colaborou na criação da Bibliogalaxia, um espaço criativo onde as crianças puderam desfrutar da leitura e da exploração. Além disso, o uso do diário de aprendizagem permitiu que os alunos refletissem sobre seu progresso e facilitou a personalização das atividades conforme as necessidades de cada criança.
Carolina Calvo detalha neste diálogo alguns dos aspectos deste projeto, reconhecido com o 2º Prêmio na categoria de Educação Infantil nos Prêmios Nacionais de Experiências Educativas Inspiradoras 2024. Além dos prêmios, obteve resultados significativos, com melhorias visíveis na atenção, na autonomia, na colaboração e no pensamento lógico do alumnado.
Para começar, fale-nos sobre este projeto e o que motivou a criação deste plano centrado em fortalecer as funções executivas na educação infantil
“Este projeto surge da necessidade de acompanhar as crianças em pilares fundamentais na educação infantil, como o desenvolvimento de sua autonomia, a capacidade de concentração e também sua autorregulação. Durante vários anos, estive me formando sobre funções executivas, após conhecê-las na realização de um mestrado em necessidades educativas especiais, e nesse momento percebi que são a base da aprendizagem e da convivência na sala de aula. Então quis transferir toda essa teoria para propostas práticas e, sobretudo, vivas em sala, para integrá-las de forma lúdica e significativa para os alunos.”
Por que decidiu implementá-lo em uma sala rural multinível?
“Para mim, uma sala rural multinível é um contexto privilegiado, porque nela convivem crianças de diferentes idades e tudo isso cria um clima muito bonito de ajuda mútua, de aprendizagem entre iguais e, acima de tudo, de respeito ao ritmo de cada um. Acredito que esse tipo de agrupamento se torna uma preciosa oportunidade, tanto para eles quanto para mim como docente.”
Quais eram os objetivos principais do projeto e como se relacionam com as competências-chave dos alunos nessa etapa?
“Por um lado, eu tinha objetivos vinculados às funções executivas, que seriam melhorar a atenção, a memória de trabalho e a autorregulação, e por outro lado vinculados ao currículo da educação infantil: favorecer sua autonomia, a criatividade, a colaboração, aspectos que na sala de aula dia a dia eu dou muita importância.”
O projeto combina atividades manipulativas, jogos e pensamento computacional sem telas. Como você projetou essas atividades e que critérios seguiu para selecionar os materiais?
“Seguimos três critérios básicos. O primeiro, que fossem acessíveis, que para mim é fundamental, especialmente por princípios de inclusão. Além disso, que fossem elaborados com materiais cotidianos e econômicos; muitas das propostas e jogos foram desenhados com papelão. Também que fossem versáteis e adaptáveis a diferentes idades; quando se está em uma sala multinível, isso é fundamental.”
“E, é claro, que conectassem com a vida real das crianças. Uma vez que tinha essa base, projetei diferentes propostas de jogos: de blocos, de sequências, labirintos










