Donald Trump voltou a colocar os nomes geográficos no centro da conversa política dos Estados Unidos. O presidente dos Estados Unidos propôs que Novo México passe a chamar-se «Nova América» e divulgou nas suas redes sociais uma imagem do contorno do estado na qual a palavra «México» aparece riscada e substituída por «América».
A publicação foi posteriormente partilhada pela Casa Branca na sua conta no X, embora, até ao momento, não tenha resultado num procedimento formal para alterar o nome do estado. A Reuters indica que Trump apresentou a denominação como uma ideia recebida dos seus seguidores e classificou-a como «prestigiosa» e «bonita».
A proposta surge poucos dias depois de o presidente ter assinado, em 27 de agosto, uma ordem executiva para que o Governo federal dos Estados Unidos passe a chamar «Lago América» ao lago Ontário, partilhado pelos Estados Unidos e pelo Canadá. A Casa Branca inclui oficialmente esta ordem entre as ações presidenciais de agosto de 2026.
Um novo episódio na política de mudança de nomes
Não é a primeira vez que Trump promove alterações deste tipo. No início do seu segundo mandato, ordenou que as agências federais dos Estados Unidos utilizassem a denominação «Golfo da América» para se referirem ao golfo do México. Também restaurou o nome monte McKinley para o Denali, no Alasca, e, mais recentemente, sugeriu chamar «Estreito de Trump» ao estreito de Ormuz.
A iniciativa relativa ao Novo México apresenta, no entanto, uma diferença fundamental. O presidente pode ordenar alterações na nomenclatura utilizada por determinadas agências federais para acidentes geográficos, mas não dispõe de autoridade constitucional para alterar unilateralmente o nome de um dos estados que compõem os Estados Unidos. Uma eventual mudança teria de partir do próprio estado, pelo que a proposta divulgada por Trump tem, por enquanto, um caráter essencialmente político e simbólico.
A governadora do Novo México, a democrata Michelle Lujan Grisham, rejeitou essa possibilidade. A sua resposta destacou também a profundidade histórica de uma denominação que antecede a própria existência dos Estados Unidos como país. O nome Novo México tem as suas raízes no período da presença espanhola na América do Norte, muito antes de o território ter sido incorporado nos Estados Unidos no século XIX.
Um nome com séculos de história
A questão tem uma dimensão histórica especialmente relevante. O Novo México não recebeu o seu nome em consequência da sua posterior proximidade com o México independente. A denominação remonta à época colonial espanhola e era utilizada séculos antes da criação dos atuais Estados Unidos e México.
Posteriormente, o território permaneceu sob soberania mexicana após a independência do México e passou a fazer parte dos Estados Unidos depois da guerra entre os dois países e do Tratado de Guadalupe Hidalgo, de 1848. O Novo México tornou-se, por fim, o 47.º estado da União em 1912. Esse percurso explica a importante presença da herança hispânica e mexicana na sua identidade cultural e social.
A proposta presidencial adquire, assim, um significado que vai além de uma simples alteração cartográfica. O nome Novo México faz parte de uma história sucessivamente ligada às culturas indígenas, à presença espanhola, ao México e aos Estados Unidos, constituindo um dos testemunhos mais visíveis da complexa formação histórica do sudoeste dos Estados Unidos.
Por enquanto, não existe qualquer processo legal em curso para o substituir. O que a iniciativa confirma é a continuidade de uma prática que Trump utilizou em diferentes momentos do seu segundo mandato: recorrer aos nomes geográficos como elementos de identidade nacional e de comunicação política. O caso do Novo México apresenta, no entanto, um limite que não existia em alguns dos episódios anteriores: qualquer alteração efetiva dependeria do próprio estado, e não apenas de uma decisão da Casa Branca.










