Zaragoza, a segunda cidade mais amigável da Espanha em 2026, consolida sua posição como referência de qualidade de vida e sustentabilidade urbana na Europa. Segundo um estudo recente elaborado pela plataforma Remitly —com base em pesquisas com mais de 2.000 pessoas que medem traços como empatia, respeito, paciência e trato cotidiano—, a capital aragonesa ocupa o segundo lugar no ranking nacional de amabilidade, com 72,34 pontos de 100, apenas algumas décimas atrás de Bilbao (72,53). Valladolid e Málaga empatam na terceira posição com 72,30.
Este reconhecimento não é anedótico: reflete um caráter zaragozano que combina cordialidade sem efusividade excessiva, respeito ao espaço pessoal e uma notável capacidade de fazer os outros se sentirem confortáveis, mesmo os recém-chegados. Como observa Eva Borislavova, CEO da Remitly Europa, “um gesto amigável pode mudar o dia por completo e fazer você se sentir mais em casa”. Em Zaragoza, isso se traduz em interações tranquilas no dia a dia —no Tubo com tapas, no bonde ou passeando ao lado do Ebro—, onde predomina um trato considerado, baixo egoísmo e pouca tendência a guardar rancor por conflitos menores.
Este pódio na amabilidade se soma a outras conquistas que posicionam Zaragoza como uma das cidades mais habitáveis da Espanha em 2026. A cidade foi premiada com o Prêmio Cidade Europeia Acessível 2026 da Comissão Europeia (Access City Award), destacando seu enfoque baseado em direitos —inspirado na Convenção da ONU sobre Direitos das Pessoas com Deficiência—. Dispõe de um bonde 100% acessível, ruas pedonais sem barreiras, habitações inclusivas (como o projeto Flumen), sites e aplicativos certificados, e um Escritório Municipal de Acessibilidade que coordena políticas transversais. Além disso, em rankings de qualidade de vida —como os da OCU ou percepções locais—, Zaragoza beira o primeiro lugar por seu equilíbrio entre serviços públicos, baixo estresse, acessibilidade e conforto, ficando apenas atrás de Vigo em alguns estudos.
Mas Zaragoza não se contenta com o presente: seu futuro passa por uma ambiciosa aposta na sustentabilidade e na reconexão com a natureza, encarnada no Projeto de Regeneração do Rio Huerva. Este emblemático afluente do Ebro, durante décadas degradado e semioculto como “cicatriz urbana”, está sendo transformado em um corredor verde vivo e acessível. Financiado com fundos NextGenerationEU (através da Fundação Biodiversidade do MITECO) e um investimento total próximo a 32 milhões de euros, o projeto se divide em fases: a primeira (preparação do terreno) já concluída, e a segunda —em execução até o final de 2026— focada na recuperação hidromorfológica, renaturalização e criação de espaços públicos.
As ações incluem:
- Eliminação de espécies invasoras e revegetação com flora autóctone para formar um bosque de ribera.
- Melhoria da biodiversidade e qualidade da água por meio de muros Krainer (defesas naturais flexíveis).
- Criação de oito parques (cinco novos e três renovados) ao longo do leito urbano.
- Novas passarelas para pedestres, caminhos acessíveis e pacificação de ruas adjacentes (como Manuel Lasala ou Marina Espanhola).
- Integração com o Bosque dos Zaragozanos e outros eixos verdes.
Este projeto não só mitiga riscos de inundação e melhora a resiliência climática —Zaragoza faz parte da Missão 100 Cidades Climaticamente Neutras da UE para 2030—, mas também transforma o Huerva em um eixo de regeneração urbana: um pulmão verde que promove a convivência, o lazer ao ar livre e a saúde pública.
Paralelamente, o orçamento municipal de 2026 destina quase 235 milhões de euros à Área de Meio Ambiente e Mobilidade (um 5,63% a mais que em 2025), impulsionando mobilidade sustentável, limpeza, parques infantis e proteção animal. Esses investimentos reforçam a visão de uma cidade habitável, inclusiva e verde, onde a amabilidade de seus habitantes se complementa com ambientes que convidam a ficar.
Em um contexto europeu onde as cidades competem por atrair talentos e residentes, Zaragoza demonstra que a verdadeira grandeza reside no humano e no sustentável: um lugar onde você se sente bem-vindo, acessível a todos e preparado para o futuro. Com o Huerva renascendo e seu caráter acolhedor intacto, a capital aragonesa se perfila como um modelo de cidade amigável e resiliente para a próxima década.










