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8 febrero 2026

Nuria Ros: «A Câmara deve liderar para ajudar as empresas a se adaptarem às mudanças»

A turolense Nuria Ros Navarro assumiu a Secretaria Geral da Câmara de Comércio de Teruel em setembro de 2025, após um processo de relevo interno planejado e depois de uma ampla trajetória de 15 anos dentro da Instituição. Com o objetivo de suceder seu antecessor, Santiago Ligros, Ros ocupou a Vice-secretaria Geral da instituição há mais de dois anos.

Nesta entrevista com Go Aragón, ela faz um balanço de seus primeiros meses à frente do cargo, revisa os principais desafios da Câmara em um contexto econômico em mudança e analisa questões-chave como o apoio às pmes, a internacionalização, a digitalização do comércio, a captação de investimentos e o papel das ajudas ao funcionamento para o desenvolvimento do território.

P: Você já está há vários meses à frente da Secretaria Geral. Que balanço faz deste primeiro período e que aprendizado destacaria?

R: O balanço é muito positivo. Assumir este cargo tem sido uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um desafio muito motivador. Cheguei em setembro de 2025 após um processo de relevo ordenado que facilitou muito a continuidade. Ter sido previamente Vice-secretária Geral me permitiu conhecer bem a gestão interna, os projetos e a equipe humana.

Os resultados validam este primeiro período, tanto pela execução de projetos quanto pelas colaborações público-privadas que temos desenvolvido. Além disso, enfrentamos 2026 com novos desafios e um planejamento muito ambicioso, graças a uma equipe de 23 profissionais.

P: Você assume o cargo após muitos anos de trajetória interna. Como isso a ajudou a conhecer a instituição por dentro?

R: Isso me ajudou totalmente. Passei por diferentes etapas e responsabilidades, de um perfil técnico a Diretora de área e Vice-secretária geral. Isso me permitiu conhecer o dna da Câmara, sua missão e seus valores.

“Tudo o que fazemos na Câmara tem como objetivo gerar impacto real no território.”

A Câmara não é nem uma administração pública nem uma empresa privada, é uma entidade ponte entre empresas e administração. Ter vivido essa realidade por dentro durante mais de quinze anos me permite assumir a Secretaria Geral com uma visão clara das prioridades e dos objetivos estratégicos da Corporação.

P: Seu perfil está muito vinculado ao assessoramento empresarial e à dinamização do território. Que isso traz para esta nova etapa?

R: Traz uma visão muito orientada ao impacto real. Tudo o que fazemos na Câmara tem como finalidade o desenvolvimento econômico e social da província de Teruel. Gerar emprego, oportunidades e crescimento é o objetivo final.

Também traz proximidade. Na Câmara, trabalhamos para acompanhar, ouvir e orientar as empresas. Queremos ser um verdadeiro aliado no seu crescimento, tanto do ponto de vista institucional quanto empresarial.

P: Olhando para o futuro, que desafios você estabelece para a Câmara de Comércio de Teruel?

R: O principal desafio é nos adaptarmos rapidamente a um ambiente em mudança para poder ajudar as empresas. Somos a voz do tecido empresarial perante a administração e um agente chave na execução de políticas públicas.

Queremos reforçar o apoio às pmes e autônomos, impulsionar a colaboração público-privada e melhorar a competitividade empresarial. A formação contínua é fundamental, especialmente em áreas como a digitalização e a inteligência artificial. A Câmara deve estar à frente para ajudar as empresas a se adaptarem.

“A digitalização já não é uma opção, é uma necessidade para continuarmos competitivos.”

A internacionalização é outro eixo estratégico. contamos com uma rede nacional e internacional de Câmaras que nos permite acompanhar as empresas que desejam abrir novos mercados ou consolidar os que já possuem.

A longo prazo, também trabalhamos para aderir a novos Projetos Europeus e na captação de investimentos para a província, especialmente em setores estratégicos vinculados ao entorno do aeroporto de Teruel e à área da defesa, com o objetivo de gerar emprego e atrair e reter talento.

P: Em que momento se encontra o comércio na província de Teruel?

R: O comércio teve uma boa campanha de Natal e agora enfrenta o período de liquidações, mas vive em uma situação de adaptação constante. É um setor resiliente que sempre soube se reinventar, embora agora o grande desafio seja a digitalização e a concorrência com grandes formatos e o comércio online.

Na Câmara, ajudamos de forma personalizada, pois nem todos os comércios têm o mesmo ponto de partida. Iniciativas como os vouchers de consumo ou programas como Volveremos funcionaram bem e o setor as valoriza.

“A liderança não depende do gênero, da idade nem do momento vital.”

Os desafios passam por competir mais em serviço, qualidade e proximidade do que em preço, e por enfrentar o relevo empresarial. É fundamental não perder comércios que dão vida a nossos municípios.

P: As ajudas ao funcionamento continuam sendo uma reivindicação chave. Que impacto teria uma aplicação real do 20 %?

R: Teriam um efeito trator muito importante. Alcançar esse percentual atrairia novos investimentos, facilitaria a chegada de empresas, melhoraria salários e condições laborais e, a partir daí, ajudaria a resolver outros problemas como a habitação ou a retenção de talento.

Até agora, a aplicação do 1 % tem sido praticamente imperceptível. Por isso, demandamos avançar para esse máximo autorizado pela Comissão Europeia, embora de forma progressiva. O momento é agora e há consenso entre os agentes sociais e econômicos sobre sua importância.

P: Que potencial têm as empresas turolenses para crescer no exterior?

R: O potencial é muito alto. O mercado local é limitado e a internacionalização é uma via clara de crescimento e diversificação. Na Câmara, organizamos missões comerciais, feiras, ações de prospecção e formação específica.

“O comércio de proximidade deve competir em serviço, qualidade e proximidade.”

Além disso, trabalhamos em rede com outras Câmaras. Um exemplo é o convênio com a Câmara de Tarragona para facilitar o acesso ao mercado africano. Setores como o agroalimentar se destacam especialmente, mas a internacionalização é uma oportunidade para todo tipo de empresas.

P: A digitalização é um dos grandes desafios do comércio de proximidade. Em que ponto se encontra?

R: A maioria dos comércios já está ciente da importância de estar presente no ambiente digital, embora o grau de maturidade seja desigual. Na Câmara, oferecemos assessoramento personalizado e formação contínua para ajudá-los a escolher as ferramentas adequadas. Também fomentamos o trabalho em grupo e a pertença a associações empresariais, porque enfrentar essas mudanças de maneira individual é muito mais difícil.

P: Você assume a Secretaria Geral como mulher jovem e mãe recente. Como vive esta etapa?

R: Eu vivo com total naturalidade. A liderança não deveria depender nem do gênero, nem da idade, nem da etapa vital. No meu caso, não tem sido um obstáculo. Acredito que é importante visibilizar mais mulheres em postos de responsabilidade e apostar em equipes diversas. A pluralidade, geracional e de perfis, enriquece qualquer projeto e ajuda a tomar melhores decisões.

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