A Instituição Fernando el Católico da Diputação de Zaragoza publicou ‘Aragão nos Desastres da guerra de Francisco de Goya’, do historiador militar José Pérez Francés. Este trabalho propõe pela primeira vez a vinculação de todo o projeto criativo da famosa série de gravuras com fatos ocorridos durante a guerra em território aragonês, baseando-se na análise dos desenhos preparatórios e diversas fontes históricas.
Lançamento do livro que revela a conexão entre Goya e Aragão
A apresentação desta publicação ocorrerá na próxima quarta-feira às 19h00 no antigo Salão de Plenários da Diputação Provincial de Zaragoza. O evento contará com a presença do diretor da IFC, Carlos Forcadell, e do próprio autor, com entrada livre até completar a capacidade.
Enfoque metodológico do estudo inovador
Pérez Francés utilizou uma diversidade de fontes para sua pesquisa, comparando as gravuras com os desenhos preparatórios das estampas em que Goya traçou cenários de fundo que foram simplificados ao serem transferidos para as chapas. O estudo também incorpora planos, relatos históricos e inúmeros documentos referentes à Guerra da Independência.
Segundo explica o autor, «os desenhos preparatórios servem para provar que os ‘Desastres’ referem-se a eventos relacionados com as campanhas dos Sitios de Zaragoza. Alguns foram feitos ‘in situ’, e outros a partir de testemunhos após a finalização do primeiro e segundo Sitio».
Aportações geográficas do estudo de Pérez Francés
O estudo propõe localização para praticamente todas as cenas das gravuras, identificando novas localizações em lugares como Daroca, Tabuenca, o Monastério de Santa Fe, Villafeliche ou Zaragoza.
Daroca é identificada como cenário da gravura ‘Eu vi’, reforçando a hipótese previamente levantada pelo historiador da arte José Camón Aznar. Além disso, Pérez Francés considera que lá se localizam outras três gravuras: ‘E isso também’ (Desastre 45), ‘Tudo vai revirado’ (Desastre 42) e ‘Também isso’ (Desastre 43).
O Monastério de Santa Fe é associado aos episódios do saque e assassinato de freis representados nos desastres 46, 47 e 38, relacionados aos saques realizados pelo regimento polonês dos Lanceros do Vístula em junho de 1808.
Villafeliche aparece como cenário das cenas localizadas nos desastres 24 e 20.
A batalha de Épila (junho de 1808) está vinculada às gravuras números 15 (‘E não há remédio’), 36 (‘Também não’) e 19 (‘Já não há tempo’), baseando-se na indumentária militar, nas formas de execução das vítimas, na paisagem de derrubadas massivas ordenadas pelos franceses e na cronologia do conflito.
Contexto histórico das criações de Goya
Goya tinha 62 anos quando o conflito se iniciou. Finalizado o primeiro Sitio de Zaragoza em outubro de 1808, foi chamado à capital aragonesa pelo General José de Palafox para que registrasse os estragos do exército francês e as glórias da população local, uma estadia comumente aceita por todos os especialistas.
O design estrutural do projeto de Goya
O estudo sugere que Goya concebeu a série como um grande projeto criativo que engloba desenhos preparatórios e gravuras, um total de 95 peças, originalmente em ordem cronológica e divididas em três partes:
- Uma primeira série aragonesa de estampas (de 1808 a 1814), que abrange a Guerra de Independência em Aragão e os chamados caprichos enfáticos
- Uma segunda série sobre a justiça de José I Bonaparte
- Uma terceira sobre a fome em Madrid
Dos 95 desenhos preparatórios, 87 foram transferidos para chapas para gravuras, das quais duas se romperam. A primeira edição das gravuras sob o título ‘Desastres da guerra’ foi impressa em 1863, 35 anos após a morte do pintor.
«O projeto criativo que fez Goya é um relato histórico em ordem cronológica que pode ser seguido interpretando as pistas deixadas por seu criador. Esta revisão rompe com o que foi proposto até agora», afirma Pérez Francés.










