O empreendedor tecnológico Miguel Ángel Rodero, cofundador de uma das primeiras plataformas educativas digitais em espanhol, participou em Huesca no encerramento do Tour do Talento com uma conferência centrada no impacto da inteligência artificial na educação. Durante sua intervenção, defendeu que a IA não deve ser entendida como uma ameaça, mas sim como uma ferramenta capaz de transformar a forma de aprender se utilizada com critério.
Rodero explicou aos participantes reunidos no Palácio de Congressos que a tecnologia já faz parte do presente educativo e que ignorá-la não é uma opção. Em sua opinião, o desafio agora não é evitar que os estudantes utilizem inteligência artificial, mas ensinar-lhes a fazê-lo de forma responsável e com pensamento crítico.
Uma mudança tecnológica que já está em andamento
O empreendedor insistiu que a irrupção da inteligência artificial representa uma das mudanças tecnológicas mais relevantes das últimas décadas. Sua adoção está sendo rápida, especialmente entre os jovens, que incorporam essas ferramentas ao seu dia a dia com naturalidade.
No entanto, Rodero advertiu que o verdadeiro desafio não é o acesso à tecnologia, mas a forma como ela é utilizada. Muitos estudantes recorrem a essas ferramentas sem compreender completamente seu funcionamento ou suas limitações, o que torna imprescindível que docentes e instituições de ensino acompanhem esse processo.
Para o empresário, o papel dos professores será cada vez mais importante como guia nesse novo ambiente digital. Os docentes não só deverão incorporar a tecnologia na sala de aula, mas também ensinar os alunos a questionar a informação que recebem e a utilizar essas ferramentas como apoio ao aprendizado, não como substituto do esforço intelectual.
A IA como ferramenta educativa
Durante sua intervenção, Rodero apresentou diferentes cenários sobre como a inteligência artificial poderia ser integrada nas salas de aula de acordo com a etapa educativa. Nos primeiros anos de escolarização, ele considera que seu uso deve estar principalmente nas mãos dos professores, que poderiam utilizá-la para criar materiais adaptados, contos personalizados ou recursos didáticos ajustados às necessidades de cada aluno.
À medida que os estudantes avançam em sua formação, a tecnologia pode ser incorporada progressivamente como ferramenta de apoio para estudar, organizar conteúdos ou desenvolver projetos criativos. Em cursos mais avançados, a inteligência artificial poderia se tornar até um recurso habitual para pesquisar, gerar materiais ou desenvolver novas formas de aprendizagem.
Pensamento crítico na era digital
Uma das mensagens centrais de sua intervenção foi a necessidade de reforçar o pensamento crítico na educação. Rodero destacou que a inteligência artificial pode cometer erros ou reproduzir preconceitos, por isso os estudantes devem aprender a contrastar a informação e a não aceitar automaticamente as respostas que recebem.
Nesse contexto, ele também defendeu o valor crescente de competências como a leitura, a capacidade de análise e a expressão de ideias. Em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia, saber formular boas perguntas e estruturar o pensamento será tão importante quanto dominar as ferramentas digitais.
Talento jovem e empreendedorismo
O cofundador de El Rincón del Vago também refletiu sobre o papel dos jovens no futuro do ecossistema tecnológico. Na sua opinião, as novas gerações serão as responsáveis por impulsionar a próxima etapa de inovação, em um contexto marcado por mudanças cada vez mais rápidas.
Rodero destacou que a Espanha possui talento e capacidade para desenvolver projetos inovadores, embora considere que ainda é necessário fomentar uma cultura mais favorável ao empreendedorismo. Facilitar que os jovens possam desenvolver ideias e criar novas iniciativas será fundamental para fortalecer a estrutura produtiva.
Um futuro cheio de oportunidades
Apesar dos desafios que a revolução tecnológica apresenta, Rodero transmitiu uma mensagem otimista sobre o futuro. A inteligência artificial, afirmou, abre um cenário repleto de oportunidades tanto para a educação quanto para o desenvolvimento profissional das novas gerações.
O objetivo, concluiu, não é que a tecnologia substitua as pessoas, mas que amplifique suas capacidades. Utilizada de forma responsável, a inteligência artificial pode se tornar uma ferramenta poderosa para aprender mais, criar mais e compreender melhor o mundo que nos rodeia.










