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14 febrero 2026

Fernando Martín, presidente da CEHTA: “O Plano de Sustentabilidade Social valoriza tudo que o turismo contribui para os territórios, as pessoas e o prestígio do setor”

Aragão aposta em um turismo mais responsável e próximo das pessoas. O Plano de Sustentabilidade Social do Turismo de Aragão é uma iniciativa pioneira na Espanha que busca valorizar o impacto positivo do turismo nos territórios, na vida dos cidadãos e no prestígio do setor. Para conhecer em detalhe seus objetivos, estratégias e resultados, falamos com Fernando Martín, presidente da Confederação de Empresários de Hotelaria e Turismo de Aragão, entidade encarregada de representar o setor econômico mais importante de Aragão, e que é responsável pela execução do Plano.

O Plano de Sustentabilidade Social do Turismo de Aragão é uma iniciativa pioneira na Espanha. Como você definiria seu objetivo principal em poucas palavras?

O objetivo principal do plano é valorizar tudo o que o turismo aporta aos territórios, às pessoas e ao prestígio do setor. Queremos que se reconheça como o turismo não gera apenas receitas econômicas, mas também tem um papel decisivo no bem-estar das comunidades locais e na projeção positiva de Aragão como destino. Nosso lema é “Respeite, aproveite, viva”, que resume de forma simples, mas profunda, a filosofia do plano. Respeitar significa demonstrar consideração pelos territórios, pelas pessoas que residem neles, pelos visitantes e pelos profissionais do setor, garantindo um tratamento justo e responsável em todos os níveis. Aproveitar se refere a desfrutar da oferta turística, promovendo experiências que sejam enriquecedoras tanto para os visitantes quanto para os próprios residentes. E viver implica que esse desfrute e respeito sejam mantidos ao longo do tempo, assegurando a continuidade e a sustentabilidade das experiências turísticas e dos benefícios que geram para toda a sociedade.

Um dos eixos é medir e visibilizar o impacto social do turismo. Que indicadores ou exemplos concretos você acredita que demonstrarão esse impacto em Aragão?

Para avaliar o impacto social do turismo, nossa abordagem combina observação qualitativa e diálogo constante com os diversos subsetores. Realizamos reuniões setoriais com spas, campings, turismo rural e agências de viagens, e analisamos as experiências compartilhadas por todos os atores envolvidos. Não nos concentramos apenas em números econômicos, mas em como o turismo gera emprego, contribui para o bem-estar das comunidades, articula o território e ajuda a fixar população, especialmente em áreas rurais. Essas reuniões e experiências nos permitem identificar áreas de melhoria e reconhecer conquistas, mostrando que o turismo pode ser um motor social e cultural importante. Embora não tenham sido definidos indicadores quantitativos rígidos, o impacto se reflete na qualidade de vida dos residentes, na satisfação dos visitantes e na coesão das comunidades locais.

O plano inclui um decálogo e auditorias. Que tipo de compromissos você acredita que serão mais fáceis e mais difíceis de implantar e como será o apoio às empresas para alcançá-los?

O decálogo foi projetado para prestigiar o setor de hotelaria e reconhecer o trabalho dos profissionais, promovendo boas práticas que se aplicam em diferentes subsetores: campings, restaurantes, hotéis e turismo rural. Alguns compromissos, como o cumprimento normativo ou o respeito a convenções trabalhistas, são mais fáceis de implementar porque se baseiam em normas já existentes que apenas requerem monitoramento e conscientização. Outros, como manter altos padrões de satisfação no trabalho de forma constante e promover um ambiente de trabalho respeitoso e motivador, podem ser mais complexos, pois envolvem mudanças culturais e de gestão interna. Para apoiar as empresas, realizamos auditorias piloto e campanhas como o “Orgulho Ostrero”, que não apenas reconhecem a excelência, mas também motivam a adoção contínua de práticas sustentáveis e de qualidade. Essa abordagem ajuda a que os compromissos se tornem hábitos duradouros e não medidas temporárias.

Que oportunidades você vê para que a hotelaria aragonesa adote mais produtos locais e sustentáveis sem que isso represente um custo extra insustentável para o empresário?

Impulsionamos a economia circular e o conceito de quilômetro zero através da criação de sinergias entre empresas, indústrias agroalimentares e o Governo de Aragão. Esta colaboração busca melhorar a comercialização de produtos locais e sustentáveis, garantindo que cheguem aos estabelecimentos sem gerar custos adicionais significativos. Temos consciência de que alguns produtos locais têm limitações na produção e distribuição, o que representa um desafio logístico. Portanto, nossa estratégia consiste em estabelecer uma rede comercial que conecte diretamente os produtores aos estabelecimentos turísticos, facilitando o acesso a produtos frescos e de qualidade e apoiando a economia local sem que isso implique um aumento de custos que possa desincentivar seu uso.

Que critérios serão usados para selecionar os projetos de investimento social e como será medido seu sucesso além da rentabilidade econômica?

Os projetos de investimento social são selecionados com base em sua capacidade de gerar um impacto positivo na comunidade, especialmente em pequenas e rurais. Buscamos iniciativas que integrem o turismo à vida da comunidade, como rotas de voluntariado, sinalização de caminhos, melhoria de capelas ou mirantes, ou atividades que promovam a participação cidadã. Para visibilizar essas conquistas, organizaremos uma gala de prêmios em Huesca que destacará os projetos mais bem-sucedidos em termos sociais, a adoção da filosofia quilômetro zero e a implementação do decálogo de boas práticas.

Foi mencionada a capacitação em liderança sustentável. Quais competências concretas estão sendo priorizadas para que a mudança não fique apenas na teoria?

A formação em liderança sustentável se concentra em transmitir que a sustentabilidade não é um luxo, mas uma expectativa crescente dos clientes e uma exigência para o futuro do setor. Priorizamos competências relacionadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica, garantindo que os responsáveis pelo setor possam integrar essas dimensões na gestão diária. Também trabalhamos para que os padrões de qualidade e as boas práticas sejam mantidos de forma contínua, não apenas enquanto durar o plano. A educação e a sensibilização são fundamentais: começamos pelos jovens, promovendo que a sustentabilidade se interiorize como um valor cultural e social que influencie a tomada de decisões e o comportamento tanto de profissionais quanto de visitantes.

Você mencionou que o plano é um esforço conjunto entre o Governo de Aragão e a CEHTA. Que aprendizados já surgiram dessa colaboração que podem servir como modelo em outros setores?

A colaboração público-privada demonstrou a importância de uma comunicação fluida e da participação ativa do setor. Enquanto a Administração estabelece o marco legislativo e regula as normas, o setor define diretrizes práticas e supervisiona a implementação. As reuniões mensais permitem avaliar o progresso e fazer ajustes, promovendo uma aprendizagem contínua. Este modelo mostra que a combinação de normas e práticas, junto com um diálogo constante, pode ser replicável em outros setores onde a cooperação entre reguladores e profissionais é essencial para alcançar resultados sustentáveis e eficazes.

Como você pretende envolver o visitante e o cidadão aragonês para que vejam o turismo não como um fardo, mas como um motor social?

A chave está na sensibilização e na educação. Buscamos envolver cidadãos e turistas em experiências que valorizem o patrimônio cultural, as tradições e os territórios, mostrando como o turismo pode gerar benefícios tangíveis para todos. Queremos que o turismo seja percebido como um motor social e econômico.

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