Num momento em que o turismo enfrenta novos desafios e oportunidades, Teruel aposta em um modelo de desenvolvimento socialmente sustentável que vai além da simples promoção turística. O Plano de Sustentabilidade Social do Turismo em Aragão, impulsionado pela Confederação de Empresários de Hotelaria e Turismo de Aragão (CEHTA) junto ao Governo de Aragão, busca consolidar a indústria turística como um motor econômico responsável, capaz de gerar benefícios sociais, econômicos e ambientais. Este plano se centra na adaptação das estratégias turísticas às necessidades dos pequenos municípios e estabelecimentos, assegurando um impacto positivo em toda a província.
Para aprofundar neste projeto, conversamos com Elena Marco, presidenta da Associação Provincial de Empresários Turísticos de Teruel, que nos explica como o plano busca reforçar a sustentabilidade social do setor. Marco ressalta a importância de manter a população local, fomentar o emprego e garantir a qualidade dos serviços, aspectos chave para que o turismo seja um fator de desenvolvimento estável e duradouro na região.
«Queremos demonstrar que Teruel aposta em um turismo responsável e sustentável»
Na entrevista, Marco detalha como os pequenos empresários rurais, desde restaurantes em vilarejos de 50 habitantes até campings em áreas naturais, se tornam peças fundamentais do plano. A implementação de um decálogo de boas práticas e a promoção de produtos locais e economia circular são algumas das medidas concretas que buscam consolidar um turismo responsável e socialmente comprometido em toda a província de Teruel.
Além disso, a presidenta da Associação Provincial de Empresários Turísticos reflete sobre os principais desafios enfrentados pelo setor, desde a despovoação rural até a percepção negativa da hotelaria como empregadora. Segundo Marco, iniciativas como os prêmios de hotelaria e turismo ou as campanhas de formação não apenas reconhecem o esforço dos empresários, mas também inspiram toda a comunidade a participar de um modelo turístico mais sustentável, inclusivo e profissionalizado.
«O esforço adicional dos empresários é mínimo, mas o impacto é enorme»
P: O que representa para Teruel a implementação deste Plano de Sustentabilidade Social do Turismo?
R: É algo que precisamos: criar bases sólidas para continuar contando com o turismo como motor econômico. Durante um tempo, esquecemos seu potencial, mas ainda há pessoas dispostas a melhorar. No fim, o atrativo turístico é o que permitirá continuar crescendo, adaptando-se às novas necessidades do setor e enfrentando os problemas que surgem ao redor do turismo.
P: Qual é o valor diferencial de Teruel dentro deste modelo de turismo responsável?
R: Nosso ponto forte é o turismo rural e as pequenas populações, que mantêm características diferentes das grandes cidades. Este plano deve ser aplicado também nas áreas mais remotas, que são um atrativo importante da província. É fundamental trabalhar com eles para que o turismo não decaia.
P: Como deveria chegar a todos esses pequenos empresários, como os de um vilarejo de 50 habitantes com um restaurante em Gúdar-Javalambre ou um camping no Matarraña?
R: Eles serão os mais receptivos. As pessoas dos vilarejos veem a necessidade de se manterem abertas, têm vocação e motivação para continuar trabalhando, mesmo em temporadas baixas ou fazendo um esforço extra em temporadas altas. Precisamente eles receberão melhor este plano.
P: Quais ações concretas foram realizadas dentro deste modelo de turismo responsável em Teruel?
R: Foi executada a linha de comunicação: campanhas de televisão neste verão na Aragón Televisión, campanhas de rádio, publicações nas redes sociais da CEHTA e presença em meios digitais da província. Em breve haverá mais ações relacionadas com a implementação do decálogo, cursos de economia circular “Kilômetro Zero” e a linha de investimento social, que incluirá ações em cada província e reforçará a comunicação com empresários, clientes e trabalhadores do setor.
«Se apoiarmos nossos vizinhos com produtos de km zero, a economia fica na região»
É muito importante porque os pequenos estabelecimentos ajudam a fixar a população. A campanha busca reconhecer o trabalho que realizam: quantos municípios não existiriam sem um restaurante ou uma cafeteria? Às vezes, os prefeitos nos perguntam: “Vocês sabem de alguém que queira levar o bar? Se fechar, o vilarejo perde vida”. Além disso, um bar precisa de trabalhadores, o que contribui para manter a população local.
P: Como os empresários estão se envolvendo no cumprimento do decálogo de boas práticas?
R: Realizamos uma pesquisa entre os associados da CEHTA, e 93% aprovou o decálogo proposto para Turismo Aragão. O próximo passo é comunicá-lo a todos os associados e gerar um guia simples para sua implementação.
O decálogo inclui normas básicas: cumprir a legislação vigente, estar em dia com os pagamentos e respeitar os horários dos trabalhadores. Também se fomenta a economia circular, o km zero e o investimento social. Este último premia estabelecimentos que contribuem para seu município, mesmo que não tenha repercussão direta no negócio. Os estabelecimentos devem enviar estas práticas para avaliação e, posteriormente, prêmios serão concedidos na Gala de Prêmios de Economia Circular em Huesca.
«Nosso objetivo é profissionalizar o setor e ser um motor econômico da província»
P: Outro fator importante é o produto local e a economia circular. Que papel desempenham no turismo de Teruel?
R: Eles são fundamentais para retroalimentar o plano de sustentabilidade. Se apoiarmos nossos vizinhos usando produtos de km zero, a economia permanece na área e cresce. Quando chega turismo externo, seus gastos também impulsionam a região. O importante é que nossos próprios residentes estejam satisfeitos com os serviços que oferecemos, portanto, devemos nos esforçar continuamente para melhorar e manter a qualidade.
P: O plano também busca benefícios sociais. Como contribui para fixar a população e melhorar a qualidade de vida?
R: Nas zonas rurais de Teruel, há um problemas graves de despovoação, embora muitas tenham grande atrativo. Manter postos de trabalho lá ajuda a evitá-la. Incentivar o turismo e manter a qualidade dos serviços fazem com que os clientes voltem ou recomendem a região, o que gera mais emprego e serviços. Isso repopula de forma natural e melhora a imagem do setor, mostrando aos jovens que podem desenvolver uma carreira em hotelaria e turismo. O plano tem três pilares: que o empresário cumpra com suas obrigações, que os trabalhadores sejam socialmente responsáveis e que os clientes participem desta consciência. Por isso, também oferecemos formação.
P: Quais são os principais desafios para enfrentar um turismo socialmente sustentável e responsável em Teruel?
R: O turismo sustentável, como tal, já contempla aspectos ambientais e energéticos, mas o plano da CEHTA vai um passo além: sustentabilidade com as pessoas. De nada adianta ter um local ecológico se não respeitamos a população ou os empregados. A sustentabilidade econômica é fundamental, mas aqui o importante é a sustentabilidade social. O principal desafio é mudar a percepção do setor, pois a hotelaria foi vista como “a vilã da história”, o que dificulta encontrar trabalhadores. O decálogo busca mostrar a realidade e a responsabilidade dos empresários.










