O governo autonômico e os municípios de Zaragoza, Huesca e Teruel apresentaram alegações ao estudo informativo do Ministério dos Transportes. As instituições aragonesas reivindicam uma infraestrutura de altas prestações para passageiros e mercadorias que evite um gargalo na conexão ferroviária com o Mediterrâneo.
Aragão apresentou alegações ao estudo informativo do trecho Teruel-Sagunto do Corredor Cantábrico-Mediterrâneo com um pedido central: que esta conexão seja projetada como uma linha de altas prestações, com dupla via eletrificada e capacidade para tráfego misto de passageiros e mercadorias. O governo autonômico e os municípios das três capitais aragonesas consideram que a solução atualmente proposta pode limitar a capacidade futura de um eixo ferroviário estratégico para conectar o vale do Ebro com o Mediterrâneo e a cornija cantábrica.
As alegações foram entregues nesta terça-feira no Ministério dos Transportes e Mobilidade Sustentável pelo presidente de Aragão, Jorge Azcón, acompanhado pelo conselheiro de Habitação, Fomento, Logística e Coesão Territorial, Octavio López, e pelas prefeitas de Zaragoza, Natalia Chueca; Teruel, Emma Buj, e Huesca, Lorena Orduna. As instituições solicitam a retirada do estudo atual e a elaboração de uma nova proposta que contemple maiores prestações para o trecho entre Teruel e Sagunto.
O principal argumento é a diferença entre a solução proposta para esses 137 quilômetros e as intervenções previstas em outras partes do corredor. De acordo com as alegações, manter uma infraestrutura de via única e prestações mais limitadas na conexão entre Teruel e o Mediterrâneo pode reduzir a capacidade e a confiabilidade do conjunto do eixo, especialmente à medida que aumente o tráfego ferroviário de mercadorias.
Uma conexão estratégica entre PLAZA e o porto de Valência
A importância do trecho transcende a mobilidade de passageiros. O Corredor Cantábrico-Mediterrâneo deve conectar alguns dos principais centros industriais e logísticos do norte e leste da Espanha, e para Aragão significa uma saída ferroviária direta em direção ao porto de Valência. No outro extremo está Zaragoza, onde PLAZA constitui um dos maiores nós logísticos do país e concentra uma importante atividade vinculada ao transporte e à distribuição.
Uma conexão ferroviária com maior capacidade permitiria reforçar o transporte de mercadorias entre ambos os polos e melhorar as condições para que as empresas utilizem a ferrovia como alternativa ao transporte rodoviário. Por isso, a proposta aragonesa sugere uma infraestrutura preparada, desde seu design, para absorver tanto serviços de passageiros quanto tráfegos de mercadorias e garantir sua interoperabilidade com o restante da rede.
As instituições aragonesas consideram que as intervenções realizadas e atualmente em andamento na linha Zaragoza-Teruel-Sagunto permitiram avanços em sua modernização, mas defendem que esses investimentos devem ser entendidos como uma primeira etapa. Sua proposta passa por planejar o corredor com uma perspectiva de longo prazo que leve em conta o crescimento da atividade logística e industrial e evite que determinados trechos condicionem, posteriormente, a capacidade do conjunto.
As alegações solicitam também que Aragão participe desde as primeiras fases na definição das novas alternativas e que se trabalhe junto às instituições europeias para recuperar a consideração de altas prestações do trecho. A integração na Rede Transeuropeia de Transporte constitui outro dos argumentos utilizados para defender uma infraestrutura com maiores níveis de capacidade, confiabilidade e interoperabilidade.
A decisão sobre Teruel-Sagunto é especialmente relevante porque o corredor não é apenas uma infraestrutura aragonesa. Sua função é articular uma conexão ferroviária entre o Mediterrâneo, o vale do Ebro e o norte peninsular, conectando territórios com uma elevada concentração de atividade industrial, logística e portuária. As características com as quais finalmente este trecho será projetado determinarão, portanto, uma parte da capacidade futura de todo o eixo.
Com as alegações já apresentadas, o debate entra agora na fase de análise do estudo informativo. Aragão propõe que o planejamento não se limite a resolver as necessidades atuais da linha, mas que contemple a evolução do tráfego ferroviário durante as próximas décadas. Para uma comunidade que transformou a logística em um de seus setores estratégicos, dispor de uma conexão ferroviária competitiva entre Zaragoza, Teruel e o Mediterrâneo também é uma questão de capacidade para mover mercadorias e conectar suas empresas com os principais corredores nacionais e europeus.










