As encomendas da indústria alemã aumentaram 2,5% em julho face ao mês anterior, uma subida superior à prevista que prolonga para três meses consecutivos a melhoria deste indicador. O dado traz um novo sinal positivo para a maior economia da Europa, embora o avanço esteja muito condicionado por grandes encomendas em determinados setores industriais.
Segundo os dados provisórios publicados esta sexta-feira pelo Departamento Federal de Estatística da Alemanha (Destatis), o aumento mensal de 2,5% ocorre após o avanço de 3,7% registado em junho, um valor que foi revisto em alta face aos 3,1% inicialmente estimados. Em comparação com julho de 2025, as novas encomendas foram 13,1% superiores.
A evolução dos últimos meses reforça os sinais de recuperação da atividade industrial alemã, mas os dados exigem alguma cautela. Se forem excluídas as grandes encomendas, especialmente voláteis, as ordens recebidas pelas empresas transformadoras diminuíram 1,4% face a junho. No período entre maio e julho, as encomendas aumentaram 2,9% em relação aos três meses anteriores, mas, sem contabilizar as grandes encomendas, recuaram 2,2%.
Os transportes impulsionam o crescimento
O principal responsável pelo aumento de julho foi o setor de outros equipamentos de transporte, que abrange atividades como a fabricação de aviões, navios, comboios e veículos militares. As encomendas desta indústria dispararam 126,4% face ao mês anterior devido a um volume excecional de grandes contratos, especialmente na construção naval, no material ferroviário e na aeronáutica.
A evolução foi muito diferente no setor automóvel, um dos setores fundamentais da economia alemã, onde as encomendas recuaram 12,5%. Por tipos de bens, as novas encomendas de bens de capital aumentaram 2,4% e as de bens intermédios, 4,3%, enquanto as correspondentes a bens de consumo diminuíram 4,8%.
Existem também diferenças significativas consoante a origem da procura. As encomendas nacionais cresceram 9,1%, enquanto as provenientes do estrangeiro diminuíram 2,1%. Entre estas últimas, as ordens provenientes de países da zona euro avançaram 12,1%, em contraste com a queda de 10,1% das recebidas de países situados fora da área da moeda única.
Uma recuperação económica ainda com sinais desiguais
Os dados industriais surgem depois de a Alemanha ter mostrado uma melhoria da sua atividade económica durante a primeira metade de 2026. O produto interno bruto cresceu 0,3% no segundo trimestre face aos primeiros três meses do ano, quando tinha avançado 0,4%. A Destatis atribuiu grande parte do crescimento do segundo trimestre à evolução das exportações, que aumentaram 2% face ao trimestre anterior.
No entanto, outros indicadores continuam a refletir fragilidade. Os investimentos em máquinas, equipamentos e veículos diminuíram 1,4% durante o segundo trimestre e, em julho, o volume de negócios real da indústria transformadora caiu 1,5% face a junho. Em comparação com o mesmo mês de 2025, o volume de negócios industrial reduziu-se 0,6%.
O terceiro aumento mensal consecutivo das encomendas industriais representa, assim, um sinal favorável para a economia alemã, mas a sua composição revela um comportamento ainda desigual. O forte peso dos grandes contratos de transporte no resultado de julho e a queda das encomendas quando estes são excluídos obrigam a aguardar pelos próximos meses para determinar até que ponto a melhoria se está a estender ao conjunto da indústria.










