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12 febrero 2026

A terceira idade ganha força na internet: o papel da rede contra o isolamento

Na Espanha, a alfabetização digital entre pessoas idosas deu uma guinada radical nos últimos anos. Longe de ser um fragmento da população desconectado, este coletivo está mostrando sua capacidade de se adaptar, aprender e tirar proveito das ferramentas digitais.

Em 2024, o INE reportou que 82,5% dos espanhóis de 65 a 74 anos utilizam a internet frequentemente (pelo menos uma vez por semana). Mais recentemente, a Fundação Mapfre detectou que 75% dos maiores de 55 anos já estão online, e a faixa de 75 a 84 anos cresceu de 29,9% para 38% entre 2023 e 2024.

Além disso, o V Barômetro Sênior da Mapfre deixou claro que 83% dos maiores de 55 se conectam mais de cinco vezes por semana e que 53% dos maiores de 70 publicam conteúdo em redes sociais. O uso da internet já não é um ato residual, mas está enraizado na vida cotidiana deste coletivo.

Esse nível de conectividade abriu a porta para novas formas de entretenimento digital também entre as pessoas idosas. Desde a visualização de vídeos até a participação em jogos online. Alguns até exploram espaços antes impensáveis para sua geração, como um crypto casino, onde a curiosidade tecnológica se mistura com a novidade das criptomoedas e a experiência lúdica digital, sendo esse um dos métodos mais populares entre os jogadores.

Segundo o “V Barômetro do Consumidor Sênior” da Fundação MAPFRE, destaca-se que 97% desse coletivo consome YouTube, enquanto 89% permanece ativo no Facebook e 57,4% realiza compras na Amazon regularmente.

Isso revela não apenas penetração, mas uma adoção profunda de plataformas úteis em seu dia a dia: desde entretenimento até gestão financeira. Em paralelo, o INE confirma que entre os 65 e 74 anos, mais de 80% se conecta de maneira frequente (pelo menos uma vez por semana), com cifras muito similares entre homens (80,5%) e mulheres (79,3%). Esse uso sustentado implica uma transição do acesso passivo para uma participação ativa, fazendo da internet uma ferramenta cotidiana e não um luxo.

O avanço tecnológico na Espanha também é favorecido pela expansão do 5G, que em 2024 cobriu 96% da população, incluindo um sólido 80% em áreas rurais. Isso significa que mesmo em comarcas afastadas, as conexões móveis permitem videoconferências fluidas, streaming e acesso a serviços online, reduzindo a brecha digital territorial.

Internet como escudo frente à solidão e protetor da memória

O isolamento é uma realidade que afeta 64% das pessoas idosas na Espanha, e em 14,8% a sensação de solidão é grave ou muito grave. No entanto, estudos realizados na Espanha apontam que a interação social derivada do uso da internet gera maior satisfação vital, atuando em muitos casos como evento social em si.

Em 2025, um relatório do Conselho Geral de Colégios Farmacêuticos sublinha a importância da tecnologia para reduzir o isolamento indesejado entre idosos. Em paralelo, o conhecido jornalista José Luis Sastre alertou na Cadena SER que até 20% da população espanhola sofre solidão indesejada, sendo especialmente vulnerável a terceira idade.

O metaanálise de Nature Human Behaviour de abril de 2025, com mais de 400.000 participantes, concluiu que o uso habitual de tecnologias reduz o risco de deterioração cognitiva em 58% entre maiores de 50 anos. Embora seja um estudo global, suas conclusões ressoam na Espanha, onde as plataformas digitais oferecem estimulação constante, desde jogos cognitivos até leituras e aprendizados.

O desenvolvimento de gerontotecnologias na Espanha abriu um novo horizonte. Recentemente, El País destacou projetos como assistentes de voz (por exemplo, Alexa com Cruz Vermelha) e inteligência artificial aplicada ao lar, com objetos conectados que enviam lembretes, facilitam videoconferências e monitoram a saúde.

A brecha não desapareceu por completo: 27,3% dos maiores de 65 anos não utilizam a internet, segundo a Fundação Ferrer Guardia. No entanto, na Espanha proliferam iniciativas como “Reconectados” da Fundação Telefónica, Cruz Vermelha, Fundação Cibervoluntários e colégios maiores, que oferecem formação prática, presencial e online, centrada em banca, saúde digital e comunicação.

Na Aragão, o plano Estratégia Solidão 2025–28 destaca redes de apoio comunitário, centros informativos e pontos sobre tecnologia para maiores. A aposta é clara: empoderar digitalmente para evitar a exclusão social.

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