Um 52,6% dos trabalhadores em Aragão afirma conseguir desconectar imediatamente, acima da média nacional. No entanto, quase 8 em cada 10 continuam recebendo mensagens de trabalho fora do horário.
Mais da metade dos trabalhadores aragoneses (52,6%) consegue desconectar mentalmente do trabalho a partir do primeiro dia de férias, segundo um estudo da empresa de recursos humanos Randstad. Essa porcentagem coloca Aragão como a terceira comunidade autônoma onde é mais fácil deixar para trás as obrigações laborais ao iniciar o descanso estival, apenas atrás de Navarra (56%) e Cantábria (54,1%).
A pesquisa, realizada entre mais de 4.300 pessoas em idade laboral, revela, no entanto, que nem todos os profissionais conseguem essa desconexão imediata. Em Aragão, 28,9% precisa de até uma semana para alcançá-la, 15,3% entre uma e duas semanas, e 3,2% requer mais de duas semanas para desativar o “modo trabalho”.
Desconexão digital: uma matéria pendente
Apesar da boa capacidade de desconectar no início das férias, Aragão não escapa ao fenômeno da hiperconectividade fora do horário laboral. Segundo o mesmo relatório, apenas 21,1% dos trabalhadores afirma não receber nunca mensagens de trabalho fora do expediente, um dado inferior à média nacional (24,3%).
Isso significa que quase 8 em cada 10 aragoneses convivem com algum tipo de interrupção digital por parte de suas empresas durante seu tempo livre. A maioria (32,6%) afirma receber comunicações laborais “às vezes”, outro 32,6% “raramente” e 10% “ocasionalmente”. As interrupções frequentes (3,7%) ou constantes (0%) são menos comuns na comunidade e estão abaixo da média nacional (12,4%).
O relatório da Randstad também destaca diferenças importantes na capacidade de desconexão de acordo com o setor profissional. Na educação, apenas 40,4% consegue desconectar desde o início das férias; na saúde, apenas 37,3%; e em transporte e logística, 31,6% precisa entre uma e duas semanas.
Por outro lado, os trabalhadores da indústria (52,5%) e da tecnologia (50,8%) lideram em desconexão imediata. Também se destacam setores como a construção, onde 39,7% desconecta instantaneamente, ou o agrário, onde 38,6% precisa de menos de uma semana.
Uma cultura de disponibilidade que não cessa
A desconexão real —tanto digital quanto mental— continua sendo um desafio no âmbito laboral espanhol. Um 37,7% dos trabalhadores considera que sua empresa espera que responda a mensagens fora do horário de trabalho, enquanto outro 22,8% não tem certeza se essa expectativa existe.
Apenas 26,9% dos entrevistados em nível nacional afirma conseguir uma desconexão completa ao término de sua jornada. Essa falta de descanso sustentado contribui, segundo alerta a Randstad, para o esgotamento emocional e para maiores riscos à saúde mental decorrentes da hiperexigência laboral.










