O rio Huerva, durante décadas um leito subutilizado, quase oculto e degradado em sua passagem pela capital aragonesa, inicia uma transformação histórica que o converterá em um dos principais corredores verdes da cidade. A Prefeitura de Zaragoza inaugurou a exposição itinerante e interativa “Vive el Huerva”, uma proposta artística e divulgativa que busca aproximar a cidadania do ambicioso projeto de regeneração integral do rio, financiado em grande medida com fundos europeus NextGenerationEU.
A instalação, composta por quatro contêineres marítimos reconvertidos em espaços sensoriais e expositivos, permanecerá aberta ao público até o próximo 22 de março em um dos pulmões verdes mais emblemáticos de Zaragoza. A conselheira de Meio Ambiente e Mobilidade, Tatiana Gaudes, e o conselheiro de Urbanismo, Infraestruturas, Energia e Habitação, Víctor Serrano, presidiram a abertura oficial da mostra.
“Vamos passar de ter um rio quase oculto, pouco atendido do ponto de vista ambiental e que, sobretudo, os zaragozanos não podiam desfrutar, a ter um grande corredor verde”, afirmou Gaudes durante o ato. Por sua vez, Serrano sublinhou a mudança de paradigma: “Vamos deixar de ver este rio como uma brecha urbanística”.
O projeto de regeneração do Huerva conta com um investimento total próximo a 32 milhões de euros. A primeira fase, já concluída, destinou 8,85 milhões à preparação do terreno e atuações preliminares. A segunda fase, em pleno desenvolvimento e com finalização prevista para o final de 2026, supera os 23 milhões de euros e inclui intervenções de grande envergadura:
- Construção de um tanque de tempestades para melhorar o controle de cheias
- Renovação completa de redes de saneamento e abastecimento
- Eliminação de espécies invasivas e recuperação da flora nativa
- Plantação de 190.000 novas árvores e arbustos
- Alargamento do leito para reduzir riscos de inundações
- Criação de cinco novos parques e renovação de outros três existentes
- Reurbanização de oito ruas adjacentes com prioridade para pedestres
A exposição “Vive el Huerva” transforma os contêineres em experiências imersivas: som da água, aromas de vegetação nativa, jogos de luz natural e vídeos que recriam a futura paisagem ribeirinha. Um dos contêineres abriga uma intervenção artística da criadora Rebeca Zarza.
O espaço exterior se torna um ponto de encontro para palestras, oficinas, atividades familiares e exposições temporárias. Esta iniciativa de sensibilização complementa outras ações já consolidadas. O objetivo final é duplo: recuperar a biodiversidade e a qualidade da água do Huerva, e tecer uma nova relação entre os zaragozanos e um de seus eixos fluviais mais característicos.










