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14 febrero 2026

O mercado imobiliário de Aragão em alta: vendas mais altas desde 2007 com o aumento dos preços

Aragão continua desafiando as adversidades globais e registra os números de vendas de imóveis mais altos em quase duas décadas. Apesar do aumento dos preços imobiliários e da incerteza generalizada na economia europeia, registrou 4658 compras de imóveis no segundo trimestre de 2025. Isso representa um sólido aumento de 20,6% em comparação com o mesmo período de 2024, o número trimestral mais alto desde o terceiro trimestre de 2007, logo antes que a crise financeira mundial transformasse os mercados ao redor do mundo.

Para os leitores internacionais que não estão familiarizados com Aragão, esta comunidade autônoma de mais de 1,3 milhões de habitantes se estende desde os Pireneus até os férteis vales fluviais, combinando agricultura, indústria manufatureira e setores tecnológicos emergentes. Seu mercado imobiliário, frequentemente eclipsado por pontos quentes como Madri ou Barcelona, agora está chamando a atenção como um indicador da recuperação pós-pandêmica da Espanha. Enquanto as tendências imobiliárias globais mostram um esfriamento em lugares como os Estados Unidos e partes da Ásia devido aos altos juros, o crescimento de Aragão ressalta fatores locais únicos: o crescimento da população, a criação de empregos e as condições favoráveis de financiamento.

Um trimestre de crescimento, mas com nuances sazonais

Os últimos dados, coletados a partir dos registros de propriedade e analisados por especialistas da Cátedra do Mercado Imobiliário da Universidade de Saragoça, revelam um panorama dinâmico, mas matizado. Em termos intertrimestrais, as vendas diminuíram ligeiramente, 3,8% em relação aos três primeiros meses de 2025, um ajuste sazonal habitual, já que os compradores costumam antecipar suas compras no início do ano. No entanto, o aumento anual ressalta um impulso sustentado.

«A demanda continua excepcionalmente ativa, mesmo com o aumento dos preços», afirma Luis Fabra, diretor da Cátedra do Mercado Imobiliário da Universidade de Saragoça. Ele atribui isso ao medo dos compradores de novas altas de preços, o que os leva a tomar decisões mais rápidas em um mercado onde a oferta está atrás da demanda.

De fato, o preço médio da habitação atingiu 1636 euros por metro quadrado no segundo trimestre de 2025, o mais alto desde o início de 2012, representando um aumento de 1,8% em relação ao trimestre anterior e de 7,2% em termos anuais. Essa escalada é impulsionada pelo baixo nível de estoques, especialmente nas novas construções, onde «a comercialização está ocorrendo a um ritmo vertiginoso», segundo Fernando Montón, diretor geral da Plaza 14, uma empresa-chave no desenvolvimento regional. As vendas na planta e as operações pré-construção estão acelerando, e os compradores estão se apressando para adquirir propriedades para não perder a oportunidade ou enfrentar custos ainda mais elevados.

Imóveis novos versus imóveis usados: tendências divergentes

Desmembrando os números, os imóveis usados dominaram com 3793 transações, um aumento trimestral de 1,6% e o melhor resultado desde o terceiro trimestre de 2005. As novas construções, por sua vez, registraram 865 vendas, o que representa uma queda trimestral de 21,9%, mas um saudável aumento anual de 27,8%. O aumento dos preços foi mais acentuado nos imóveis novos (2,9% trimestral, 7,2% anual) em comparação com os imóveis usados (1,6% trimestral, mas 7,6% anual mais acentuado).

Os mercados de aluguel também estão sentindo a pressão, com tarifas em junho de 2025 que atingiram um recorde de 10 euros por metro quadrado por mês, o que representa um aumento de 1,5% trimestral e de 8,8% anual. Essa pressão está impulsionando soluções de habitação inovadoras, como espaços de convivência e residências compartilhadas, como destaca o arquiteto Fernando Used, da Ingennus. «Estamos vendo surgir novas formas de convivência para abordar a acessibilidade», afirma, destacando projetos que se adaptam ao crescimento populacional urbano de Aragão.

O financiamento alimenta o fogo

Um fator chave? Um acesso mais fácil a hipotecas em um contexto de queda nas taxas de juros. No segundo trimestre de 2025, 60,7% das compras de imóveis foram realizadas com empréstimos, em comparação com 59,59% do primeiro trimestre e impressionantes 21,3% em relação ao ano anterior. Isso resultou na concessão de 10.999 hipotecas nos últimos 12 meses, até junho de 2025. Jorge Aguerri, diretor de Desenvolvimento Empresarial para Promotores do Ibercaja, um importante banco regional, atribui esse aumento à «evolução favorável do crédito» e às ofertas competitivas.

As taxas mais baixas, influenciadas pelas políticas do Banco Central Europeu, tornam os empréstimos mais atraentes, especialmente porque a economia de Aragão se beneficia do aumento do emprego, do crescimento dos salários e da afluência de população. Espera-se que o PIB da região, impulsionado por setores como o automotivo e o logístico, supere a média nacional, o que reforçará ainda mais a confiança no setor imobiliário.

Além das habitações: prosperam as propriedades comerciais e auxiliares

O auge se estende aos segmentos não residenciais. Os armazéns industriais registraram 210 vendas, aproximando-se dos máximos de 2009, com um aumento trimestral de 1,9% e um crescimento anual de 24% (774 operações em 12 meses). Os locais comerciais registraram 417 operações, o que representa uma queda de 12,2% trimestral, mas um aumento de 17,8% anual, alcançando 1737, o número mais alto desde o início de 2008.

Os depósitos e garagens mostraram resultados díspares: 570 vendas de depósitos (11,8% menos no trimestre, mas 32,8% mais no ano, totalizando 2289) e 1789 transações de garagens (8,4% menos no trimestre, mas 17,6% mais no ano, alcançando 6710). Essas tendências refletem uma atividade econômica mais ampla, com a expansão das empresas graças à posição estratégica de Aragão como porta de entrada entre Madri e Barcelona.

Contexto global e perspectivas futuras

O auge imobiliário de Aragão contrasta com a lenta recuperação de outras áreas da Europa, onde a inflação e as tensões geopolíticas moderaram o entusiasmo. Na Espanha como um todo, houve um aumento nas vendas nacionais, mas o crescimento de 20,6% em Aragão supera a média do país, evidenciando a força da região.

No entanto, desafios se aproximam: os aumentos persistentes nos preços podem excluir os compradores de primeira viagem, e a escassez de oferta deve ser enfrentada através da aceleração da construção. Como alerta Montón, «a demanda supera em muito a oferta», e ele exorta os responsáveis políticos a agilizar os autorizações e incentivar a promoção imobiliária.

Em resumo, o mercado imobiliário de Aragão é um ponto brilhante na economia espanhola, que combina a resiliência local com as tendências globais. Para os observadores internacionais, oferece lições sobre como

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