Após meses de trabalho, formação, divulgação e colaboração com empresas e instituições, o Plano de Sustentabilidade Social do Turismo em Aragão se aproxima do seu fechamento, consolidando-se como uma iniciativa pioneira no setor turístico nacional. Mais de cem estabelecimentos acreditados, dezenas de projetos apresentados, uma importante repercussão midiática e uma ampla participação empresarial refletem o impacto alcançado por um projeto que colocou as pessoas e o território no centro do modelo turístico.
Conversamos com Fernando Martín, presidente da CEHTA, para fazer um balanço do plano, analisar seus resultados e refletir sobre o futuro da sustentabilidade social no turismo aragonês.
Qual é o balanço que faz do Plano de Sustentabilidade Social do Turismo em Aragão?
O balanço é muito positivo. Desde o início, entendemos que este plano devia servir para dar visibilidade a algo que o setor turístico aragonês vem fazendo há muito tempo: gerar oportunidades, fixar população, dinamizar territórios e contribuir para o bem-estar social.
Mas também havia outro objetivo importante: ajudar a dar visibilidade ao setor turístico e hoteleiro como um setor com futuro profissional, capaz de gerar emprego estável, oportunidades e desenvolvimento pessoal. Queríamos contribuir para dignificar a imagem do setor e valorizar o enorme trabalho que realizam milhares de profissionais em Aragão.
“Queríamos contribuir para dignificar a imagem do setor e valorizar o enorme trabalho que realizam milhares de profissionais em Aragão.”
Às vezes, quando se fala em sustentabilidade, todo o foco está na parte ambiental, que é fundamental, mas nós queríamos também valorizar a dimensão social do turismo. Queríamos falar de emprego, de acessibilidade, de coesão territorial, de igualdade de oportunidades e de compromisso com as pessoas.
Acredito sinceramente que o plano conseguiu abrir essa conversa e, sobretudo, demonstrar que a sustentabilidade social não é uma teoria, mas uma realidade que muitas empresas turísticas já aplicam em seu dia a dia.
Um dos dados mais destacados é a adesão de estabelecimentos ao Decálogo de Boas Práticas.
Sim, e é provavelmente um dos indicadores que melhor refletem a implicação do setor. Alcançamos 102 estabelecimentos acreditados no Decálogo de Boas Práticas, e isso demonstra que existe uma vontade real de avançar para um modelo turístico mais responsável e comprometido.
Além disso, o importante não é apenas o número, mas a mensagem que transmite. São empresas que quiseram dar um passo à frente e mostrar publicamente seu compromisso com a sustentabilidade social.
Isso também ajuda a gerar uma cultura empresarial diferente, onde a responsabilidade social deixa de ser vista como algo acessório e passa a fazer parte da identidade do negócio turístico.
Também foram impulsos os Prêmios de Sustentabilidade Social do Turismo em Aragão.
Assim é. Recebemos 21 projetos, e isso é uma ótima notícia porque evidencia que há criatividade, inovação e muita vontade de trabalhar nessa linha.
Os prêmios serviram para reconhecer iniciativas que, a partir de diferentes âmbitos do turismo, estão gerando impacto positivo no território e nas pessoas. Mas, além disso, ajudaram a dar visibilidade a boas práticas que podem inspirar outras empresas.
“A sustentabilidade social não é uma teoria, mas uma realidade que muitas empresas turísticas já aplicam em seu dia a dia.”
Muitas vezes, as empresas fazem coisas muito valiosas e não as contam. Esse tipo de iniciativa ajuda precisamente a compartilhar experiências e a criar uma rede de conhecimento dentro do setor.
A formação também teve um papel importante dentro do plano.
Sim, para nós era essencial. A sustentabilidade social não pode ser impulsionada apenas por discursos; precisa de ferramentas, conhecimento e sensibilização.
Durante o desenvolvimento do plano, contamos com mais de 150 participantes nas ações formativas organizadas junto à Câmara de Comércio, ECODES e Juan Royo. Foram sessões muito úteis para refletir sobre comunicação responsável, impacto social, sustentabilidade empresarial e novos desafios do turismo.
Além disso, tentamos que a formação fosse prática, próxima e adaptada à realidade das empresas turísticas, especialmente das pequenas e médias empresas, que são a base do setor em Aragão.
Outro dos pilares foi a comunicação e a divulgação do projeto.
Sem dúvida. Tínhamos claro que era importante fazer, mas também explicar o que estava sendo feito.
A sustentabilidade social precisa de visibilidade para que a sociedade entenda o valor que o turismo aporta. Por isso, trabalhamos muito na divulgação do plano, tanto em meios de comunicação como em redes sociais e ações audiovisuais.
Os vídeos criados para o plano superaram 10.000 visualizações no YouTube e o novo perfil de Instagram da CEHTA também alcançou mais de 10.000 visualizações. São números importantes porque nos indicam que a mensagem está chegando.
Além disso, tivemos mais de 320 aparições na imprensa autonômica e nacional, o que fez com que Aragão se posicione como um território que aposta em uma sustentabilidade turística com dimensão social.
Tudo isso também contribui para melhorar a percepção do setor e para transmitir uma imagem mais próxima e real do que representa o turismo para nossas cidades e vilarejos.
O plano também teve presença em espaços institucionais e profissionais relevantes.
Sim, e era importante que estivesse presente nesses espaços porque acreditamos que Aragão tem muito a contribuir nesse campo.
Participamos da FITUR tanto no estande do Governo de Aragão como junto à Hostelería de España, e isso nos permitiu compartilhar o projeto com profissionais, instituições e representantes do setor de todo o país.
Além disso, participamos de jornadas externas ao próprio setor turístico, explicando o plano e transmitindo a importância de incorporar a sustentabilidade social na estratégia empresarial.
Acredito que isso também foi muito positivo porque demonstra que o turismo tem uma dimensão transversal e que seu impacto vai muito além da atividade econômica.
O que você acha que diferencia este plano de outras iniciativas de sustentabilidade turística?
Acredito que uma das principais diferenças é que coloca as pessoas no centro.
Quando falamos de sustentabilidade social, falamos de emprego de qualidade, inclusão, acessibilidade, oportunidades para o meio rural, identidade cultural e bem-estar coletivo.
“O sucesso do projeto responde precisamente a essa capacidade de trabalhar unidos por um objetivo comum.”
O turismo não pode ser compreendido apenas a partir de números de visitantes. Deve ser entendido também pela sua capacidade de melhorar territórios e gerar valor social.
E acredito que este plano conseguiu transmitir precisamente essa ideia: que o turismo é uma ferramenta de coesão e desenvolvimento.
Sim, claramente. Alguns anos atrás, poderia ser visto como um conceito mais abstrato ou até mesmo distante para algumas empresas.
Hoje existe uma maior consciência de que a sustentabilidade social faz parte da competitividade, da reputação e do futuro do turismo.
As empresas entendem cada vez mais que os viajantes valorizam negócios comprometidos, responsáveis e conectados com o território. Mas, além disso, também compreendem que trabalhar em sustentabilidade social melhora as equipes, fortalece as relações com a comunidade e gera um impacto positivo a longo prazo.
Acredito que o setor tur










