Quando Beatriz e Carlota escolheram Zaragoza como destino Erasmus, não sabiam muito bem aonde estavam indo. Nem conheciam a cidade, nem falavam espanhol com fluência. Hoje, após quase um ano na capital aragonesa, falam com naturalidade sobre suas ruas, seus horários tardios e seus cantos favoritos. O que começou como uma decisão acadêmica se tornou uma experiência profundamente transformadora.
Beatriz, de Turim, e Carlota, do sul da Itália, estudam veterinária e chegaram a Zaragoza em setembro. Escolheram essa cidade por recomendação de seus professores na Universidade de Turim, que mantêm uma colaboração ativa com a faculdade zaragozana. Além disso, as disciplinas se adaptavam facilmente ao seu plano de estudos, o que facilitou a convalidação.
Desde o início, tudo foi novo. “Nem ideia de como era Zaragoza”, reconhece Beatriz. No entanto, o desconhecido logo se tornou descoberta. As aulas, todas em espanhol, representaram um desafio inicial, sobretudo para Beatriz, que não falava o idioma. “Agora entendo quase tudo”, diz, embora ambas reconheçam que o verdadeiro desafio foi se adaptar aos horários. “Tudo é muito tarde aqui!”, brinca Carlota. Elas acabaram comendo às dez da noite e saindo às onze, “como espanholas”.
No aspecto acadêmico, encontraram uma formação prática mais intensa do que na Itália. A possibilidade de trabalhar diretamente com animais em espaços bem preparados foi um dos aspectos mais valorizados. “As práticas são mais longas e completas”, aponta Carlota.
Embora na faculdade tenham feito mais amigos Erasmus do que espanhóis, garantem se sentir integradas no ambiente universitário. «Muitos estudantes vão para suas cidades nos fins de semana, então acabamos nos relacionando mais com pessoas de fora», explicam. Moram a dez minutos a pé da universidade, o que lhes permite se movimentar a pé, tanto para estudar quanto para explorar a cidade.
Entre seus lugares favoritos estão o Parque Grande, o Pilar e cafeterias como Petit Croissant ou o Gran Café Zaragozano. Para futuros estudantes, recomendam percorrer a cidade a pé: “Zaragoza é muito tranquila, e dá para visitar tudo caminhando”.
Uma parte essencial de sua experiência foi viajar. “Quase todo fim de semana fazemos alguma viagem”, conta Carlota. Conheceram tanto a natureza próxima quanto cidades como Madri, Salamanca, Barcelona, Bilbao ou São Sebastião. Para Beatriz, o melhor foi uma escapada ao Marrocos com outros Erasmus. Para Carlota, as viagens compartilhadas com sua amiga foram inesquecíveis.
Quanto às diferenças culturais, mais do que choques, viveram pequenas surpresas: “Aqui os mais velhos saem à noite, coisa que na Itália não acontece”, diz Beatriz. O que ambas compartilham é a percepção de que em Zaragoza as pessoas são abertas e simpáticas.
Embora nenhuma planeje ficar morando na Espanha, recomendam a experiência sem hesitação. “Um ano ou alguns meses aqui mudam muito as coisas”, afirmam. Qual é o conselho delas? Viver com estudantes locais ou internacionais para aprender o idioma, sair, desfrutar da cidade… e trazer um bom casaco. “Aqui faz muito vento”, lembram entre risadas. Mas nem o cierzo ofuscou o que para elas foi uma etapa fundamental em suas vidas acadêmicas e pessoais.










