A Associação Espanhola de FinTech e InsurTech (AEFI) acaba de atualizar seu Livro Branco FinTech 2.0 e o diagnóstico é contundente, uma vez que a próxima grande revolução dos meios de pagamento na Espanha será marcada pela imediata, pela abertura dos dados e pela segurança inteligente.
Cada tendência surge de uma mistura de pressão regulatória europeia e do apetite dos consumidores espanhóis, 80,8% dos quais já preferem canais digitais para mover seu dinheiro, e todas compartilham um mesmo fio condutor.
Bizum, Open Banking e Open Finance: A economia do dado financeiro
Desde que Bizum irrompeu em 2016, a expressão faça um bizum se tornou um verbo cotidiano. O serviço encerrou 2024 com 28,2 milhões de usuários e 1.093 milhões de operações, um recorde absoluto que equivale a 35 transferências por segundo e um volume de 44.206 milhões de euros.
Para 2025, a plataforma se propôs o objetivo de superar 30 milhões de usuários e ultrapassar 100 milhões de pagamentos em comércio eletrônico. Essa explosão de mensageria-pagamento tem sido o melhor laboratório para o Regulamento (UE) 2024/886, em vigor desde abril de 2024.
Ele obriga todos os bancos europeus a oferecer transferências instantâneas em menos de dez segundos e, a partir de 9 de janeiro de 2025, ao mesmo preço que as transferências ordinárias. Na Espanha, o impacto será duplo, uma vez que os grandes bancos já anunciaram que suas transferências expressas serão gratuitas.
Enquanto isso, os pequenos atores FinTech ganham um terreno antes vedado pelas tarifas. A imediata não é apenas conforto, é competitividade. Um comércio eletrônico que confirma a cobrança em tempo real reduz devoluções e libera estoque no momento. Por isso, as startups nativas digitais estão integrando plataformas que liquidadas em segundos.
Mesmo quando o meio de pagamento é um ativo digital convertido em euros na camada de compensação. Algo que um crypto casino tem como regra e benefício para atrair os jogadores espanhóis. A chave para que a experiência seja fluida é a interoperabilidade. A Iberpay já está testando conexões transfronteiriças com Portugal e Itália.
Tudo isso para que um bizum cruze a fronteira como se fosse uma mensagem de chat. Mas, se a velocidade é o motor, os dados abertos são o combustível. A transição de PSD2 para PSD3 e o novo Regulamento FiDa ampliará o perímetro do open banking tradicional para um open finance que incluirá contas de valores, seguros ou pensões.
A AEFI ressalta que essa abertura permitirá gerenciar todos os produtos a partir de um único aplicativo e, sobretudo, fomentará a concorrência ao dar acesso à infraestrutura de pagamentos a entidades de pagamento e dinheiro eletrônico, não apenas à banca universal. Na prática, os bancos espanhóis já atuam como hubs de API.
BBVA se orgulha de projetos ativos em seu API_Market, enquanto a Imagin oferece a seus 3,5 milhões de usuários jovens a possibilidade de poupar, investir ou pagar com um simples deslizamento. Um bom exemplo local é a Ibercaja, cujo aplicativo disparou em 10,5% o número de «bizumers» em 2023 e se aproxima de meio milhão de usuários de pagamentos móveis.
Cibersegurança: DORA, detecção de fraude e eficiência operativa
O Regulamento de Resiliência Operacional Digital (DORA), que começou a ser aplicado em 17 de janeiro de 2025, homogeneiza pela primeira vez os requisitos de cibersegurança para vinte tipos de entidades financeiras e seus provedores de TIC. Entre outras obrigações, impõe uma estrutura única de gestão de risco.
Isso inclui testes de penetração periódicos e notificação de incidentes graves em menos de 24 horas, com foco na autenticação multifator e na supervisão de terceiros críticos. A urgência da norma é compreensível ao revisar os números do Instituto Nacional de Cibersegurança (INCIBE).
Em 2024, foram gerenciados 97.348 incidentes, um aumento de 16,6% em relação ao ano anterior. Desses, dois em cada três afetaram diretamente cidadãos e pequenas e médias empresas. Doze meses antes, a estatística já era preocupante, com 83.517 incidentes em 2023, de modo que a curva ascendente confirma a pressão crescente sobre o setor financeiro.
Com DORA a caminho, os bancos espanhóis aceleram auditorias de resiliência e calculam investimentos em TI apenas para cumprir os primeiros RTS (Regulatory Technical Standards) que serão publicados pelas Autoridades Europeias de Supervisão neste outono.
Enquanto a regulamentação protege a infraestrutura, a inteligência artificial se estabelece como a ferramenta mais eficaz para caçar fraudes em tempo real. BBVA estima que 83% dos profissionais de prevenção a fraudes planejam incorporar IA generativa nos próximos dois anos, e já aplica aprendizado de máquina para identificar transações anômalas antes que o cliente perceba a cobrança.
Nota legal: Este artigo tem caráter meramente informativo e reflete tendências gerais do setor de pagamentos na Espanha. Não constitui recomendação financeira, legal ou de negócios, nem substitui o aconselhamento profissional especializado.










