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22 enero 2026

Um ano de sucesso Goyesco: A exposição que une arte e história na Aljafería

No coração de Saragoça, onde as pedras milenares do Palácio da Aljafería sussurram relatos de reis, conquistas e parlamentos, uma exposição transformou um monumento histórico em um farol cultural global. «Goya, do Museu ao Palácio«, inaugurada em dezembro de 2024, celebra seu primeiro aniversário com um marco impressionante: mais de 300.000 visitantes de todos os continentes. Esta mostra, que transladou temporariamente as obras-primas de Francisco de Goya do Museu de Saragoça —fechado para reformas— até este edifício emblemático, não só homenageia o gênio de Fuendetodos, mas também dialoga com a essência mesma de Aragão e Espanha. Para um público internacional de língua espanhola, do México até a Argentina ou Filipinas, esta iniciativa representa uma janela única ao legado de um pintor universal, em um cenário que é Patrimônio da Humanidade.

O Origem de uma Ideia Ousada: Tudo começou com um fechamento temporário que se tornou uma oportunidade. Em novembro de 2023, o Governo de Aragão anunciou a reforma do Museu de Saragoça, o que implicava a mudança de sua coleção permanente. Marta Fernández, presidenta das Cortes de Aragão, viu nisso uma ocasião irrepetível: «Desde o primeiro momento, tive claro que o melhor lugar para essas obras de Goya era a Aljafería, em vez de dispersá-las ou armazená-las». Sua visão, respaldada pelo presidente aragonês Jorge Azcón, culminou em um convênio assinado em maio de 2024. Assim nasceu “Goya, do Museu ao Palácio”, uma exposição que une a arte do século XVIII com a arquitetura mudéjar, gótica e renascentista do palácio.

Azcón resume com orgulho: «Esta iniciativa ratifica nosso compromisso com o bicentenário de Goya, com capitalidade aragonesa». E os números comprovam isso: a mostra se tornou a mais visitada na história de Aragão, atraindo turistas, famílias, estudantes e especialistas. Fernández acrescenta: «Foi possível graças à colaboração institucional, e reforça o valor da Aljafería como casa de todos».

Um percurso pelo gênio de Goya

A exposição se desdobra na parte cristã do palácio, onde as obras de Goya conversam com tetos policromados e salões carregados de história. O visitante é recebido pelo icônico busto de Goya realizado por Mariano Benlliure —o mesmo que inspira os Prêmios Goya do cinema espanhol—. Daí, adentra na sala de Pedro IV, dedicada à obra gráfica: gravuras, desenhos e estampos que revelam o mundo interior do artista, com rotações periódicas para preservar sua delicadeza.

A sala dos antecedentes destaca a influência dos irmãos Bayeu e José Luzán, mentores de Goya em seus inícios aragoneses. No terceiro taujel, explora-se sua etapa italiana: o Caderno Italiano, sua participação na Academia de Parma e pinturas religiosas precoces, como a série da Virgem do Pilar.

O Salão do Trono, joia do palácio, abriga retratos cortesãos: Carlos IV e Maria Luísa de Parma (empréstimo do Prado), Fernando VII, e obras convidadas que acrescentam dinamismo. O primeiro foi o «Retrato de José de Cistué e Coll» (1788), do Museu de Huesca; seguiu-se a terna «Virgem com o Menino» (1772-1773), de coleção privada; e atualmente brilha o «Retrato de Luís de Bourbon» (1783), com suas condecorações reais pintadas com maestria goyesca. Em breve, uma nova peça chegará, mantendo a frescura da mostra.

Um atrativo global: Visitantes de todos os horizontes

Com 300.000 ingressos vendidos entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, a exposição superou as expectativas. Da Espanha chegam 185.000, com 73.000 aragoneses e o restante de Catalunha, Madrid, Valência, Andaluzia e País Basco. Internacionalmente, 117.000 procedem da França, Itália, América do Sul e do Norte, e da União Europeia. «É um atrativo internacional para Aragão», enfatiza Azcón.

A acessibilidade é fundamental: visitas guiadas e livres, descontos para maiores de 65 anos, famílias numerosas, pessoas com deficiência e desempregados. Grupos escolares convivem com «anfitriões» locais que convidam amigos, fomentando um turismo cultural inclusivo.

Além das paredes: Eventos que enriquecem a experiência

A Aljafería não se limita a telas estáticas; vibra com atividades. Em junho de 2025, o ciclo «Goya ao Natural» fundiu música e dança no pórtico norte: barroco com Modern Baroque, flamenco de Sara Calero e a orquestra Ensemble Bayona, atraindo 450 espectadores.

Em setembro, «A Tapa Entra no Palácio» uniu gastronomia e arte. Palestras como «Mesa, cava e ramalhete de Carlos IV» de Carmen Abad exploraram a corte goyesca, seguidas de tapas inspiradas em obras como «A Maja Vestida» ou «Saturno Devorando seu Filho», criadas por nove estabelecimentos zaragozanos. Cerca de 180 assistentes saborearam o legado de Goya.

Olhando para o futuro: Um compromisso com a cultura: Fernández admite: «Superar esta exposição não será fácil, mas já trabalhamos em iniciativas de alto nível». Enquanto as obras do museu durarem, Goya permanecerá na Aljafería, e novas atividades serão anunciadas. «Queremos oferecer o melhor desta casa à sociedade», diz, enfatizando o valor patrimonial do palácio.

Em um mundo onde a arte une fronteiras, «Goya, do Museu ao Palácio» não é apenas uma exposição: é um diálogo vivo entre passado e presente, um orgulho aragonês com eco global. Se viajar a Saragoça, não a perca; é um convite para redescobrir Goya em sua terra natal, em um palácio que pulsa com história.

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