A restauração da cúpula do Palácio Episcopal de Tarazona possibilitou a descoberta de dois frisos do século XVI que permaneceram ocultos sob camadas de cal. Os trabalhos, realizados pela Fundação Tarazona Monumental durante nove meses, revelaram um conjunto artístico de qualidade excepcional, comparável às obras renascentistas mais importantes da cidade.
Descobrimento inesperado durante a restauração
A descoberta surpreendeu os restauradores que trabalharam na reabilitação da cúpula entre janeiro e outubro de 2025. O restaurador Miguel Ángel Agoiz explicou que «a cúpula, como um todo, estava em muito mau estado. Os frisos, de fato, eram inapreciáveis. Mas após a restauração, ficamos agradavelmente surpreendidos: sua qualidade é excepcional, superior à que esperávamos».
Os trabalhos realizados incluíram o selamento de fissuras estruturais, a limpeza de estuques e esculturas, e a reintegração cromática de pinturas murais. Segundo a Fundação Tarazona Monumental, o valor artístico do conjunto é comparável à fachada da Prefeitura ou à Catedral de Tarazona, conhecida como ‘a Capela Sistina do Renascimento espanhol’.
Características dos frisos recuperados
Primeiro friso: De caráter decorativo e executado em grisaille, localiza-se na base da lanterna. Contém representações monocromáticas de estilo ilusionista, semelhantes às da porta da Capela da Purificação de Santa Maria de la Huerta.
Segundo friso: Localizado no tambor da cúpula, apresenta inscrições em folha de ouro sobre fundo azul. Segundo o historiador Jesús Criado Mainar, corresponde a um fragmento do Gênesis (28, 12-13 e 16) que diz: «Jacó viu uma escada cuja ponta tocava o céu, pela qual desciam anjos. E disse: verdadeiramente este lugar […]. Ano 1551».
Embora a frase esteja incompleta, pois não pôde ser recuperada em sua totalidade, reforça o simbolismo da escada nobre do palácio como via de ascensão entre o mundo terreno e o divino.
A escada nobre foi construída pelo mestre alarife Juan de León el Viejo entre 1549 e 1552. Sobre ela se elevou um tambor dodecagonal e uma cúpula semiesférica, culminada com uma lanterna. As decorações foram atribuídas ao artista Alonso González a pedido do bispo Juan González de Munébrega.
O programa iconográfico combina representações mitológicas, monárquicas e religiosas com clara intenção propagandística. Inclui retratos de Carlos V, seu filho Felipe II e o bispo promotor, além de seis esculturas: três representam amantes de Júpiter e outras incorporam distintas virtudes, todas sustentadas por figuras antropomórficas deformes.
Julio Zaldívar, gerente da Fundação Tarazona Monumental, detalha que se trata de «uma alegoria da prolixa descendência que teve o deus Júpiter. Através dela, Carlos V, envelhecido e próximo à sua abdicação, busca consolidar sua imagem como monarca divinizado, preparando o caminho para seu sucessor, Felipe II».
Estado do Palácio e projetos futuros
O Palácio Episcopal foi declarado Bem de Interesse Cultural (BIC) pelo Governo de Aragão em 2020. De estilo renascentista, foi antigamente zuda muçulmana e posterior castelo e residência dos bispos turiasonenses desde o século XIV.
A Fundação Tarazona Monumental, em colaboração com o Ministério da Cultura, Diocese e Prefeitura de Tarazona, executou essas obras estruturais. Em um futuro próximo, espera-se contar com apoios para reabilitar as fachadas do edifício. Em breve, serão iniciados trabalhos de restauração do «Novo Salão de Bispos», uma sala do século XV coberta por um alfarje que também oculta surpresas sob seus revestimentos.
Acesso ao público
O Palácio Episcopal dispõe de visitas guiadas de terça a domingo, geridas pela Fundação Tarazona Monumental. As visitas em breve incorporarão a história e explicação didática da cúpula restaurada. Atualmente, é possível visitar a antiga área residencial, os aposentos nobres e as masmorras eclesiásticas.










